O volante, hoje com 31 anos, foi um dos destaques do Mundial
Sub-20, vencido pela Seleção em 2003. O cearense ainda terminou o
torneio como artilheiro
Foto: Futura Press
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Uma das principais revelações do futebol cearense na última década,
Dudu Cearense está de volta ao Brasil e cheio de histórias na bagagem.
Com carreira construída no exterior, o fortalezense de 31 anos retorna
ao País fugindo dos conflitos entre palestinos e israelenses e demonstra
intenção de permanecer em terras brasileiras, além de não destacar uma
passagem pelo futebol cearense.
Apesar de ser nascido e criado em Fortaleza, Dudu foi revelado para o
futebol nacional pelo Vitória em 2001. Ainda jovem, o volante logo
chamou a atenção de clubes e do comando da Confederação Brasileira de
Futebol, tanto que passou a compor a base da Seleção Brasileira, sendo
campeão mundial sub-20, medalhista de prata pan-americano e, pelo time
principal, campeão da Copa América.
Tamanho sucesso fez o atleta enveredar por mercados emergentes do
futebol, passando por Japão, França, Rússia, Grécia e, por fim, Israel.
Neste ínterim ainda jogou no Atlético Mineiro e no Goiás, última equipe
que defendeu no Brasil, em 2013.
Cansado da vida nômade que levou no exterior, passando por seis clubes
em 10 anos, Dudu Cearense não descarta usar o passaporte novamente, mas
revela que quer ficar no Brasil.
"Voltei ao País no fim de outubro. Saí de Israel livre, com o passe
pertencendo a mim e penso em ficar no Brasil. Lógico que uma proposta
tentadora do exterior pode ser interessante, mas quero repetir o bom
momento que tive no Goiás no ano passado", salientou o volante.
De olho em Porangabuçu
Se o desejo é permanecer em terras brasileiras, o retorno ao estado
natal não é descartado. Dudu mostrou que mesmo distante sempre está
ligado no que as equipes cearenses estão fazendo.
"Venho acompanhando o futebol cearense. Torci muito para o Fortaleza
subir para a Série B, assim como observei a boa temporada do Ceará neste
ano, que não foi para a elite por detalhes", disse o atleta.
O Alvinegro, inclusive, foi muito elogiado pelo volante brasileiro.
"O Ceará vem demonstrando uma evolução muito grande. Adquiriu um centro
de treinamento e vem brigando constantemente pelo acesso. Hoje, um
convite para atuar no Vovô não é fácil de se descartar e eu estaria
aberto para conversar", garante.
Alarmes e sustos
A vontade de fincar raízes no Brasil é reflexo de muitas noites de
insônia que teve em Israel. Transferido para o país na atual temporada
europeia, Dudu Cearense teve sua passagem no Maccabi Netanya resumida a
sustos.
"Foi tudo muito estranho; nunca tinha vivido isso. Parti de Salvador
para Netanya e quando desembarquei não havia conflito algum. Dias depois
começou a guerra, a tensão aumentou e jogos foram cancelados", rememora
o fortalezense.
Com dificuldade para buscar informações em uma nação de cultura bem
diferente da ocidental, o volante confiava na distância para a zona de
conflito e no sistema de defesa israelense para levar uma vida normal,
mas não durou muito.
"A Faixa de Gaza fica distante de onde eu estava, então sabia que seria
difícil cair algum míssil onde eu estava, além disso estava protegido
pela cúpula de ferro, mas lembro com clareza das sirenes. Uma vez,
estávamos em campo quando soou em uma cidade vizinha e, assustados, nos
escondemos em uma sala de proteção. Aquilo não é vida", conclui.
SAIBA MAIS
No Brasil
Pelo Vitória, Dudu Cearense conquistou o bicampeonato baiano, em 2002 e
2003, além da Copa do Nordeste de 2003. Ainda conquistou o
Mineiro-2012, pelo Atlético/MG; o Goiano-2013 e a Série B-2012, pelo
Goiás
CSKA Moscou
Pela equipe russa, o volante faturou o Campeonato Russo (2005 e 2006), a
Supercopa (2006 e 2007) e a Copa da Rússia (2005/06 e 2007/08)
Olympiakos
Na primeira passagem pelo país, o brasileiro venceu o campeonato
nacional (2008/09 e 2010/11), além da Copa da Grécia ( 2008/09)
Seleção Brasileira
Pela Sub-20, Dudu conquistou o Mundial da categoria sendo artilheiro.
Pela Sub-23 ganhou a prata no Pan-Americano de 2003 e, naquele ano
jogou, a Copa das Confederações pelo time principal, no qual ainda levou
a Copa América
Eduardo Buchholz
Repórter
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