Na companhia do presidente da Câmara (à esquerda), Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) oficializou sua candidatura à presidência da Casa
foto: Agência Brasil
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Brasília. O PT vai lançar amanhã um nome do partido
para disputar a Presidência da Câmara em 2015. Apesar de seu principal
aliado, o PMDB, ter definido a indicação do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) como candidato, os petistas estão dispostos a entrar na
disputa mesmo que a decisão abale a relação com os peemedebistas.
Líder do PT, o deputado Vicentinho (SP) disse na última quinta-feira
(4) que o partido vai buscar apoio de outras siglas ao nome do partido
por considerar legítimo que a maior bancada da Câmara aponte o seu
presidente. O PMDB é a segunda maior bancada da Câmara, atrás do PT.
“Nós do PT imaginávamos e queríamos que fosse natural a indicação. Não
foi falado nada conosco, nos sentimos no direito”, afirmou. Vicentinho
disse também que a indicação não é uma “afronta” ao PMDB porque, pela
tradição da Câmara, a maior bancada indica o candidato à Presidência com
a possibilidade do lançamento de nomes “independentes”.
O petista alfinetou as articulações do PMDB para eleger Cunha. “Afronta
é quando você tira a oportunidade natural de um partido assumir, como é
o caso do PT. Nem por isso a gente está reclamando. Se tiver que falar
de afronta, essa seria. Mas nem disso a gente está reclamando”, disse o
deputado.
Questionado sobre a indicação de Cunha, Vicentinho disse considerar que
“tem nomes melhores” no PT para a vaga. “Um casamento só dá certo
quando os dois querem também. Se um dos dois não quer manter o acordo,
não é uma coisa ilegítima, frustra a expectativa. Mas cada um tem o
direito de manter o acordo até quando quiser, não tem validade”.
Nomes
No PT, o nome mais cotado para ser lançado na corrida à presidência da
Câmara é de Arlindo Chinaglia (PT-SP), atual vice-presidente, que já
comandou a instituição durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva
(2003-2010).
Deputados do partido temem que a candidatura própria deflagre uma
guerra com o PMDB na Casa, colocando em risco a aprovação de projetos
prioritários para o governo. O PMDB é considerado o principal aliado do
Planalto e, sem o apoio do partido, aliados de Dilma temem que seu
segundo mandato encontre maiores dificuldades na relação com o
Congresso.
Parte da bancada do PT, porém, está disposta a enfrentar o aliado por
considerar que o PMDB descumpriu o acordo que previa um rodízio entre as
duas siglas no comando da Câmara. O atual presidente, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN), está à frente da instituição nos últimos dois anos.
Lançamento
No dia 2 de dezembro, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ),
oficializou sua candidatura à presidência. Acompanhado do atual
presidente da Casa e de deputados de vários partidos, Cunha prometeu
trabalhar pela independência da Câmara.
“A Câmara independente não quer dizer oposicionista, mas a Câmara
independente quer dizer que não será submissa. Ela tem que ser o poder
independente”, disse o deputado. Para ele, o ato deveria acabar com as
especulações sobre a possibilidade de desistir da disputa por motivo de
composições políticas.
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