segunda-feira, 16 de setembro de 2013

96 médicos estrangeiros treinados no Ceará já estão aptos a trabalhar

IGOR DE MELO
Médicos estrangeiros participaram no treinamento no Ceará na Escola Estadual de Saúde Pública

Confinados num treinamento complementar para atuar no Programa Mais Médicos, 96 profissionais de saúde estrangeiros, sendo 79 cubanos, estão aptos a trabalhar nos postos de atendimento de cidades carentes de quatro estados nordestinos: Maranhão, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Mesmo com muito nervosismo e revendo na última hora as lições recebidas ao longo de 21 dias, os médicos agora chamados de “brasileiros”, todos treinados na Escola de Saúde Pública do Ceará, em Fortaleza, passaram com louvor, após avaliação ontem.

Da manhã, no início da avaliação, os médicos, a maioria mulheres, 65%, mais pareciam alunos nas vésperas de provas. Cadernos, anotações e uma última oportunidade para revisão do conteúdo passado pelos professores da Universidade Federal do Ceará (UFC): “Ninguém desistiu e vamos cumprir nossa missão”, disse o entusiasmado cubano Juan Hernández, que vai para uma área indígena a 500 quilômetros de São Luís, no Maranhão, assumindo posto do Programa Saúde da Família de lá”, informou.

Os médicos, que se submeteram à prova no Auditório Governador Ciro Gomes, nome do novo secretário de Saúde do Ceará, receberam também uma mensagem dele de pedidos de desculpas “pelo ato hostil de meia dúzia de médicos cearenses que não nos representam”. A hostilidade aos cubanos e intercambistas aconteceu logo após a aula inaugural do treinamento, em 26 de agosto, quando médicos cearenses chamaram os estrangeiros de ”escravos”, “voltem para a senzala” e “incompetentes”.

A avaliação constou de uma arguição em português, preenchimento de um prontuário e uma consulta sobre dúvidas para consultores.

11 brasileiros desistem
Dos 26 brasileiros que optaram por trabalhar em Fortaleza pelo Mais Médicos, 11 desistiram. Ficaram 15 que já estão prestando atendimento nos postos de saúde do Grande Bom Jardim, área mais violenta da cidade. Os desistentes alegaram falta de segurança.

A Secretaria de Saúde de Fortaleza solicitou ao Ministério da Saúde a abertura de nova chamada para as 11 vagas ociosas. A secretária municipal de Saúde, Socorro Martins, considerou a desistência comum. O Ceará é o Estado com um dos menores índices de médicos por mil habitantes. Enquanto a média nacional é de 1,8 por mil habitantes, o Ceará tem 1,05 médico/mil habitantes, a sétima pior média nacional. (das agências de notícias)

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