| Os deputados Jair Bolsonaro e Maria do Rosário (Foto: Gabriela Korossy e Luis Macedo / Câmara dos Deputados) |
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) reagiu nesta terça-feira (9) a um
discurso da deputada Maria do Rosário (PT-RS) contra a ditadura militar
dizendo que ele só não a estuprava porque ela “não merece”. Ele repetiu
ofensa dirigida à mesma deputada em 2003, quando os dois discutiram em
um corredor da Câmara.
Em seu discurso, Maria do Rosário, que foi ministra da Secretaria de
Direitos Humanos, chamou a ditadura militar no Brasil (1964-1985) de
“vergonha absoluta”.
Bolsonaro, que é militar da reserva, foi à tribuna em seguida. No
momento da fala do deputado, Maria do Rosário deixou o plenário.
"Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de
estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque
você não merece. Fica aqui pra ouvir", afirmou Bolsonaro.
Ao discursar, Maria do Rosário tinha afirmado que “homens e mulheres
(...) se colocaram de joelhos diante dela [da ditadura] para servirem ao
interesse da tortura, da morte, ao interesse de fazer o desaparecimento
forçado, o sequestro”.
A ex-ministra criticou também as manifestações de rua que pedem a volta
dos militares. Segundo ela, os manifestantes “deveriam ter consciência
do escárnio que promovem indo às ruas pedir a ditadura, pedir o
autoritarismo e o impeachment. Ora, figuras de linguagem desvalidas
porque colocadas no pior lixo da história”.
Maria do Rosário elogiou ainda o trabalho da Comissão Nacional da
Verdade, que divulgará o relatório final nesta quarta-feira (10), Dia
Internacional dos Direitos Humanos. No documento, haverá a recomendação
para que responsáveis pela violação de direitos humanos sofram punição
no âmbito civil, administrativo e criminal.
Jair Bolsonaro disse que, para ele, a data é o “Dia Internacional da
Vagabundagem”. “Os direitos humanos no Brasil só defendem bandidos,
estupradores, marginais, sequestradores e até corruptos”, declarou. E
acrescentou ataques à presidente Dilma Rousseff:
“A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua
chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi
para Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido
confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava
armas em quarteis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense.
Por que não fala isso?”, indagou.
Bolsonaro ainda mencionou o caso do assassinato do prefeito Celso
Daniel (PT), de Santo André, e chamou a deputada de "mentirosa,
deslavada e covarde".
"Vá catar coquinho. Mentirosa, deslavada e covarde. Eu ouvi ela falando
aqui as asneiras dela e fiquei aqui. Fale do teu governo, o governo
mais corrupto da história do Brasil", afirmou.
'Peço que o mantenha longe'
Depois da sessão, a deputada Maria do Rosário disse que a atitude do Bolsonaro agredia não só a ela, mas a todas as mulheres, e fez um apelo à direção da Câmara para que o “mantenha longe”. “Ele, de fato, agride a todas as mulheres [com o seu discurso]. Eu só quero poder vir para a Câmara dos Deputados, porque eu fui eleita, e trabalhar”, afirmou.
Depois da sessão, a deputada Maria do Rosário disse que a atitude do Bolsonaro agredia não só a ela, mas a todas as mulheres, e fez um apelo à direção da Câmara para que o “mantenha longe”. “Ele, de fato, agride a todas as mulheres [com o seu discurso]. Eu só quero poder vir para a Câmara dos Deputados, porque eu fui eleita, e trabalhar”, afirmou.
E completou: “Eu não quero que os pronunciamentos sejam comentados, eu
não quero ser agredida por esse senhor. Eu peço à Mesa da Câmara que o
mantenha longe, que o mantenha distante. Essas ameaças são típicas de
quem fala em tortura. Não aceito”.
Representação no Conselho de Ética
Após a sessão, o deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que presidia a sessão naquele momento, disse que solicitará as notas taquigráficas e o áudio para, com o apoio da bancada feminina, entrar com uma representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.
Após a sessão, o deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que presidia a sessão naquele momento, disse que solicitará as notas taquigráficas e o áudio para, com o apoio da bancada feminina, entrar com uma representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.
Segundo o deputado Geraldo Magela (DF), secretário-geral do PT, o
partido também decidiu entrar com uma representação no Conselho de
Ética contra Bolsonaro e estuda outras medidas judiciais cabíveis. “Ele
efetivamente quebrou o decoro parlamentar”, disse.
A líder do PC do B na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), disse que o
partido estuda tomar medidas contra Jair Bolsonaro. Segundo ela, entre
as possibilidades está entrar com representação no Conselho de Ética ou
impetrar ação no Supremo Tribunal Federal. “Estamos avaliando qual o
melhor caminho”, disse.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), criticou a atitude de Bolsonaro e afirmou que o Parlamento tem que “dar o exemplo” não só na política, mas no campo pessoal também.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), criticou a atitude de Bolsonaro e afirmou que o Parlamento tem que “dar o exemplo” não só na política, mas no campo pessoal também.
“A Câmara não pode ter esse tipo de comportamento aqui. Tem que dar o
exemplo aqui na relação não só política, mas pessoal também”, afirmou.
Ele observou ainda que a deputada tem como acionar a Casa para que o
deputado se explique.
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