Após milhares de casos de ebola em cinco países africanos, dois na
Europa e um nos Estados Unidos, além da possível contaminação no Brasil,
em Cascavel, no Paraná, o poder público vai focar suas atenções nos
aeroportos e portos com o objetivo de evitar que a doença chegue ao
Ceará. A tarefa não será fácil, já que, somente até a próxima
sexta-feira (17), três navios com bandeira da Libéria, na África, devem
chegar ao Porto de Fortaleza e todo sábado desembarca, no Aeroporto
Pinto Martins, um avião vindo direto dos Estados Unidos.
De acordo com a programação de navios da Companhia Docas do Ceará está
previsto, na próxima segunda (13), às 17h, a chegada do navio E.R.
Bristol no Porto de Fortaleza. Antes, ele passará pelo Egito e pela
Grécia com uma carga de cimento. A embarcação tem bandeira da Libéria,
país com 4.076 registros do ebola e 2.316 mortes.
No mesmo dia, o barco Frisia Wismar vai chegar na Capital. O navio, que
também é proveniente da Libéria, esteve em Santos, em São Paulo, e
Suape, localizado em Pernambuco, trará apenas containers vazios.
Já na próxima terça-feira (14), chega em Fortaleza a embarcação Seven
Express, que possui bandeira no Panamá. O barco esteve, no início do mês
no Texas, estado americano em que o liberiano Thomas Eric Duncan
morreu, nesta semana, após ser diagnosticado com o vírus em uma ala de
isolamento de um hospital da cidade de Dallas. Até 48 pessoas podem ter
sido expostas por Duncan à doença.
O navio Jenny deve chegar em Fortaleza na próxima sexta-feira (17),
trazendo uma carga de óleo combustível marítimo. O barco também tem
bandeira da Libéria e, antes, estava atracado em Belém, no Pará.
A assessoria de comunicação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
informou que existe apenas um voo ligando Fortaleza a um dos países com
registros de pessoas infectadas pelo vírus. O voo acontece todos os
sábados e vai de Fortaleza até Miami, na Flórida.
Em Fortaleza e Região Metropolitana (RMF) existem quatro postos da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na Capital, esses
estabelecimentos ficam no Centro, no porto e também no aeroporto. Em São
Gonçalo do Amarante o posto fica na Esplanada do Pecém, localizado no
porto.
Origem
O órgão informou que, devido ao grande número de casos em vários países
diferentes, a Anvisa trabalha com a checagem da origem e o quadro de
saúde do viajante. Assim, caso uma pessoa em um avião, ou outro meio de
transporte, desenvolva sintomas típicos de ebola e haja suspeita de
exposição ao vírus, a tripulação aciona as autoridades. Na chegada ao
destino, as autoridades sanitárias e a equipe de saúde do local avaliam
quais os riscos para definir se existe a necessidade ou não de medidas
de controle. Se descartado o risco, o passageiro é enviado ao hospital
para avaliação.
Mas, se os sinais e sintomas, bem como o histórico de exposição à
doença nos países afetados, estiverem de acordo com a definição de caso
suspeito, o viajante deve ser isolado em ambiente hospitalar específico.
Os ambientes e equipamentos que estiveram em contato com o viajante
passam por descontaminação e descarte. O rastreamento de contatos, em
caso de passageiro suspeito, é recomendado e faz parte dos planos de
contingência.
Entrevista com o infectologista Anastácio Queiroz
'Não será um problema grave no Ceará'
O senhor acredita que a doença chegará ao Ceará?
Temos uma Universidade (a Unilab) com grande número de alunos da África
Ocidental, de países próximos aos países onde a epidemia está
ocorrendo. Sabemos que eventualmente pessoas viajam para a África e
outros africanos visitam o Ceará. Teoricamente, poderemos ter casos.
Poderá vir a ser um problema grave de saúde pública no Ceará? Acredito
que não.
Como prevenir o contágio?
O contágio, digo a transmissão, se faz através do contato direto com o
doente, seja contato com secreções, sangue, urina ou outros líquidos
corpóreos. Pode também haver contato indireto com roupas, lençóis,
toalhas outros objetos que contenham secreções, sangue, urina, etc. Não
havendo contato direto ou indireto não haverá contágio
Como é feito o tratamento?
O tratamento padrão para o vírus do ebola é eminentemente de suporte.
Inclui manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, manter a oxigenação e
pressão arterial e tratamento das infecções bacterianas secundárias.
Mais informações
Secretaria Estadual da Saúde (Sesa)
Av. Almirante Barroso, 600,
Praia de Iracema
0800 275 1520
(85) 3101-5227
http://www.saude.ce.gov.br
ouvidoriasesa@saude.ce.gov.br
Secretaria Estadual da Saúde (Sesa)
Av. Almirante Barroso, 600,
Praia de Iracema
0800 275 1520
(85) 3101-5227
http://www.saude.ce.gov.br
ouvidoriasesa@saude.ce.gov.br
Thiago Rocha/ Patrícia Holanda
Repórter/especial para o Cidade
Repórter/especial para o Cidade
Nenhum comentário:
Postar um comentário