sábado, 11 de outubro de 2014

Ebola: Portos e aeroportos têm atenção especial

ebola 
Após milhares de casos de ebola em cinco países africanos, dois na Europa e um nos Estados Unidos, além da possível contaminação no Brasil, em Cascavel, no Paraná, o poder público vai focar suas atenções nos aeroportos e portos com o objetivo de evitar que a doença chegue ao Ceará. A tarefa não será fácil, já que, somente até a próxima sexta-feira (17), três navios com bandeira da Libéria, na África, devem chegar ao Porto de Fortaleza e todo sábado desembarca, no Aeroporto Pinto Martins, um avião vindo direto dos Estados Unidos.
De acordo com a programação de navios da Companhia Docas do Ceará está previsto, na próxima segunda (13), às 17h, a chegada do navio E.R. Bristol no Porto de Fortaleza. Antes, ele passará pelo Egito e pela Grécia com uma carga de cimento. A embarcação tem bandeira da Libéria, país com 4.076 registros do ebola e 2.316 mortes.

No mesmo dia, o barco Frisia Wismar vai chegar na Capital. O navio, que também é proveniente da Libéria, esteve em Santos, em São Paulo, e Suape, localizado em Pernambuco, trará apenas containers vazios.
Já na próxima terça-feira (14), chega em Fortaleza a embarcação Seven Express, que possui bandeira no Panamá. O barco esteve, no início do mês no Texas, estado americano em que o liberiano Thomas Eric Duncan morreu, nesta semana, após ser diagnosticado com o vírus em uma ala de isolamento de um hospital da cidade de Dallas. Até 48 pessoas podem ter sido expostas por Duncan à doença.
O navio Jenny deve chegar em Fortaleza na próxima sexta-feira (17), trazendo uma carga de óleo combustível marítimo. O barco também tem bandeira da Libéria e, antes, estava atracado em Belém, no Pará.
A assessoria de comunicação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que existe apenas um voo ligando Fortaleza a um dos países com registros de pessoas infectadas pelo vírus. O voo acontece todos os sábados e vai de Fortaleza até Miami, na Flórida.
Em Fortaleza e Região Metropolitana (RMF) existem quatro postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na Capital, esses estabelecimentos ficam no Centro, no porto e também no aeroporto. Em São Gonçalo do Amarante o posto fica na Esplanada do Pecém, localizado no porto.
Origem
O órgão informou que, devido ao grande número de casos em vários países diferentes, a Anvisa trabalha com a checagem da origem e o quadro de saúde do viajante. Assim, caso uma pessoa em um avião, ou outro meio de transporte, desenvolva sintomas típicos de ebola e haja suspeita de exposição ao vírus, a tripulação aciona as autoridades. Na chegada ao destino, as autoridades sanitárias e a equipe de saúde do local avaliam quais os riscos para definir se existe a necessidade ou não de medidas de controle. Se descartado o risco, o passageiro é enviado ao hospital para avaliação.
Mas, se os sinais e sintomas, bem como o histórico de exposição à doença nos países afetados, estiverem de acordo com a definição de caso suspeito, o viajante deve ser isolado em ambiente hospitalar específico.
Os ambientes e equipamentos que estiveram em contato com o viajante passam por descontaminação e descarte. O rastreamento de contatos, em caso de passageiro suspeito, é recomendado e faz parte dos planos de contingência.
Entrevista com o infectologista Anastácio Queiroz
'Não será um problema grave no Ceará'
O senhor acredita que a doença chegará ao Ceará?
Temos uma Universidade (a Unilab) com grande número de alunos da África Ocidental, de países próximos aos países onde a epidemia está ocorrendo. Sabemos que eventualmente pessoas viajam para a África e outros africanos visitam o Ceará. Teoricamente, poderemos ter casos. Poderá vir a ser um problema grave de saúde pública no Ceará? Acredito que não.
Como prevenir o contágio?
O contágio, digo a transmissão, se faz através do contato direto com o doente, seja contato com secreções, sangue, urina ou outros líquidos corpóreos. Pode também haver contato indireto com roupas, lençóis, toalhas outros objetos que contenham secreções, sangue, urina, etc. Não havendo contato direto ou indireto não haverá contágio
Como é feito o tratamento?
O tratamento padrão para o vírus do ebola é eminentemente de suporte. Inclui manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, manter a oxigenação e pressão arterial e tratamento das infecções bacterianas secundárias.
Mais informações
Secretaria Estadual da Saúde (Sesa)
Av. Almirante Barroso, 600,
Praia de Iracema
0800 275 1520
(85) 3101-5227
http://www.saude.ce.gov.br
ouvidoriasesa@saude.ce.gov.br
Thiago Rocha/ Patrícia Holanda
Repórter/especial para o Cidade

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