
Conscientizar o jovem sobre os malefícios causados pelo tabagismo - como fator de risco para doenças crônicas (pulmonares e cardiovasculares) e o câncer - não é tarefa fácil. Afinal, a resistência em cuidar da própria saúde é uma característica dessa fase da vida, quando os indivíduos tendem a ser mais aventureiros e ousados.
Tal conduta, mesmo que já venha sendo observada uma maior conscientização para o problema (ao contrário dos jovens do século XX), mostra que o vício no cigarro tem migrado para outro nicho, o da bebida alcoólica, que é igualmente danosa para a saúde.
Fumante assistido
As ações de controle do tabagismo têm sido particularmente eficazes junto ao adulto escolarizado, segundo informa a Dra. Penha Uchoa, coordenadora do Programa de Combate ao Tabagismo do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, referência no tratamento de doenças cardíacas e pulmonares.
Criado em 2002, o Programa já atendeu a três mil pacientes (50% obteve sucesso no tratamento) que buscam vencer o vício do tabagismo. Hoje, 67 participam do PCT, cujo paciente tem em média 47 anos, sendo 65% mulheres.
O sucesso terapêutico do tratamento é elevado, com taxa de abstinência tabágica de 48% em pelo menos um ano. Uma vez inscrito no PCT, o paciente passa por uma triagem médica para coleta de informações sobre o estado psicológico e a motivação para deixar o cigarro (e sua dependência da nicotina). Após a avaliação, o paciente passa a integrar o grupo de apoio, no qual é realizado o tratamento padrão (abordagem cognitivo-comportamental e terapia medicamentosa).
Marketing colorido
Embora o combate ao tabagismo já tenha computado muitos ganhos, tendo a regulamentação da Lei Antifumo como um importante divisor de águas, muito ainda precisa ser feito, como intensificar as ações no âmbito do atendimento básico.