Esse foi um dos principais pontos de debate na reunião do Comitê
Integrado da Seca, realizada ontem, na sede do comando do Corpo de
Bombeiros do Ceará. O encontro, fugindo à tradição desde que foi criado o
grupo intersetorial de trabalho, foi realizado a portas fechadas,
podendo a imprensa apenas registrar imagens dos participantes. Estiveram
ausentes representantes do Exército e da Cogerh.
Com uma duração de mais duas horas, a reunião produziu "desabafos",
como disse o prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo, dos gestores e de
representantes dos municípios. No caso de Crateús, o coordenador da
Defesa Civil do município, Teobaldo Marques, disse que o temor maior é
que toda a cidade entre em colapso bem antes do Carnaval. A solução para
o abastecimento seria a instalação da adutora proveniente de Varjota,
mas ele informou que as obras estão atrasadas.
O prefeito Celso Crisóstomo disse que saía da reunião pessimista com
relação à zona rural. Ele lembrou que os açudes estão secando e isso
inviabiliza o funcionamento das adutoras e até mesmo o serviço
emergencial dos carros-pipas.
"A solução para a zona rural é a perfuração de poços. Para as cidades, a
transposição. O problema é que as medidas emergenciais estão esbarrando
em burocracias e demoras no atendimento", disse o gestor. Ele lembrou
que Canindé tem um gasto de R$ 146 mil com gerador, uma vez que o
bombeamento de água não está sendo disponibilizado pela energia elétrica
fornecida pela Coelce.
Milho
Apesar de boa parte do encontro dos representantes do Comitê tenha
reclamado ações urgentes para resolver o problema do abastecimento da
água, a pauta inicial era para reservar ampla discussão para o fim do
subsídio do milho, que chegou a custar R$ 23,00 a saca até 31 de
dezembro do ano passado. Atualmente, a saca custa R$ 32,50, num aumento
de 41%.
A ideia é que os prefeitos e mais representantes das classes
produtoras, como o presidente da Federação da Agricultura do Estado do
Ceará (Faec), Flávio Saboya, pudessem sugerir saídas para os problemas
que afetam a economia cearense, especialmente a pecuária, que necessita
do produto para a alimentação animal. Sobre esse tema, foi deliberado
que será produzida uma minuta a ser encaminhada ao Ministério da
Agricultura, solicitação uma reedição da portaria que concedia o
subsídio. Segundo Flávio Saboya, o problema do milho, que trará impactos
imediatos para os produtores do leite, afeta especialmente os Estados
do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No Estado, há uma grande dependência do milho para alimentação do
rebanho, estimado em 2,6 milhões de cabeças, somente entre bovinos e
bubalinos, à medida em que a forragem, produzida pelas fracas quadras
chuvosas, são insuficientes. Com a seca registrada de 2012 a este ano,
houve uma mortandade de cerca de 100 mil bovinos, uma redução de 3,5% do
rebanho.
Açudes
O titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Dedé
Teixeira, chegou a falar com os jornalistas. Ele explicou que o motivo
do encontro acontecer a portas fechadas, deveu-se "à necessidade de
discussão interna de alguns pontos".
O secretário informou que medidas de convivência com a seca, deverão
ser anunciadas pelo governador Camilo Santana, logo após o anúncio do
prognóstico da quadra chuvosa, pela Fundação Cearense de Meteorologia
(Funceme), que deverá acontecer hoje, a partir das 9 horas, no Palácio
da Abolição, sede administrativa do governo do Estado.
Atualmente, 176 dos 184 municípios cearenses têm decretos de estado de
emergência por consequência da estiagem. A situação dos açudes preocupa,
pois nos 149 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos
Recursos Hídricos (Cogerh), há disponíveis somente 20,3% da capacidade
de armazenamento de água, havendo várias regiões do Estado em que o
sistema de reservatórios está abaixo dos 10%.
De acordo com o monitoramento, o quadro de reservas hídricas mais grave
está nos Sertões de Crateús. O reservatório com maior capacidade de
armazenamento de água é a barragem do Batalhão, atualmente com 5,65%. Na
Bacia do Curu, os açudes de Itapajé, no município, e Caxitoré, em
Umirim, são os com maiores reservas, apresentando, respectivamente,
6,75% e 6,11%. O açude do Castanhão, maior reservatório do Estado,
detém, atualmente 24,91%; e o Gavião, que integra o sistema
Pacoti/Riachão/Gavião, que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza,
está com 93,47% de sua capacidade.
Mais informações:
SDA
Avenida Bezerra de Menezes, 1820 São Gerardo - Fortaleza
Telefone: (85) 3101-8002
SDA
Avenida Bezerra de Menezes, 1820 São Gerardo - Fortaleza
Telefone: (85) 3101-8002
Marcus Peixoto
Repórter
Repórter
Nenhum comentário:
Postar um comentário