Mendes disse que se verificaram dificuldades para que os partidos
cumpram na prática as previsões de prestação parcial de contas
FOTO: FOLHAPRESS
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Brasília Por unanimidade, os ministros do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) aprovaram com ressalvas as contas de campanha
da presidente Dilma Rousseff. O ministro Gilmar Mendes, que é o relator
das contas, foi o primeiro a votar e foi seguido pelos ministros Luiz
Fux, Maria Thereza de Assis Moura, Luciana Lóssio, Admar Gonzaga, João
Otávio de Noronha e Dias Toffoli.
Mendes fez uma extensa leitura de seu voto, que durou quase duas horas,
com menção aos escândalos da Lava-Jato e do mensalão, a sugestões para
aprimoramento do sistema eleitoral e análises sobre financiamento de
campanha. Ele sugeriu melhoras no mecanismo de prestação de contas,
chamando atenção para a necessidade de maior transparência e
detalhamento dos dados apresentados por candidatos e partidos.
Ao apontar os problemas encontrados pela área técnica, Mendes sugeriu
que uma cópia da decisão do TSE seja encaminhada à Procuradoria-Geral da
República e à Procuradoria-Geral Eleitoral, à Receita Federal, às
secretarias de finanças de São Paulo e São Bernardo do Campo, ao
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), à Receita Federal
e ao Tribunal de Contas da União, para análise das irregularidades
encontradas
Ele citou reportagem do jornal "Folha de S.Paulo", segundo a qual um
dos sócios administradores de empresa fornecedora da campanha de Dilma
declarava, até ano passado, a profissão de motorista. A empresa, Focal
Confecção Comunicação Visual, recebeu R$ 24 milhões da campanha,
configurando a segunda maior fornecedora.
O ministro Admar Gonzaga sugeriu que todas as contas de campanha então
devem ser encaminhadas ao Ministério Público. "Há que se aplicar com um
mínimo de equidade as propostas (de Gilmar Mendes)", disse Gonzaga. Ele
considerou ainda "muito normal" os problemas apontados pela área técnica
de divergência entre a prestação parcial e a prestação final das
contas.
O plenário lembrou que há orientação do próprio TSE que enquadra os
problemas na divulgação de despesas na primeira parcial como
"impropriedade" e não como "irregularidade", como fizeram os técnicos.
Mais de R$ 30,5 milhões nos gastos da campanha petista foram
classificados como irregularidades pelos técnicos - gradação máxima na
escala de problemas previstos pelo TSE, capaz de gerar rejeição das
contas.
A ministra Luciana Lóssio apontou o caso como um "equívoco no
enquadramento". "Isso não pode ocorrer. Se se faz um enquadramento como
algo menor, não pode agora qualificar como falha maior a ponto de gerar
desaprovação", declarou a ministra.
Mendes mencionou que se verificaram dificuldades para que os partidos
cumpram na prática as previsões de prestação parcial de contas.
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