Na missa com a presença de 70 mil pessoas, papa Francisco disse,
durante a homilia, que a Igreja não deve temer mudanças e novos desafios
FOTO: REUTERS
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Cidade do Vaticano. O papa Francisco beatificou,
ontem, Paulo VI durante missa na Praça de São Pedro, assistida por cerca
de 70 mil pessoas. Depois do ritual pedido de beatificação apresentado
pelo bispo de Brescia, Luciano Monari, Francisco pronunciou a fórmula em
latim que declarou beato o pontífice.
"A partir de agora, o papa Paulo VI será chamado beato e sua festa se
realizará, nos lugares e segundo as regras estabelecidas, em 26 de
setembro de cada ano", disse o pontífice. O papa emérito Bento XVI
também assistiu à beatificação.
O milagre atribuído a Paulo VI é a cura de um feto diagnosticado com
graves problemas cerebrais no início de 1990 nos EUA. A mãe se recusou a
abortar, rezou para o papa, e a criança nasceu saudável.
Sínodo
A missa também marcou o encerramento da assembleia de bispos católicos,
conhecida como sínodo. O encontro, o primeiro comandado por Francisco,
revelou profundas divisões sobre como tratar homossexuais e pessoas
divorciadas, afirmando que a Igreja não deve temer mudanças e novos
desafios.
O papa, que já disse querer uma Igreja mais misericordiosa e menos
rígida, fez seus comentários durante a homilia. Para ele, o sínodo, que
debateu durante duas semanas temas relacionados à família, foi uma
"grande experiência de união e lembrou que a igreja deve curar as
feridas e dar esperança. Por isso, deu graças a Deus pelo dom deste
sínodo e pelo espírito construtivo com que todos colaboraram. "Que o
Espírito Santo que, nestes dias intensos, concedeu-nos trabalhar
generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, acompanhe
agora, nas igrejas de toda a Terra, o caminho de preparação do Sínodo
Ordinário dos Bispos em outubro de 2015", acrescentou.
Apoio
Segundo revelou o jornal italiano La Repubblica, o papa emérito Bento
XVI rejeitou as pressões dos cardeais conservadores que pediram a ele
que se posicionasse contra a política de abertura do papa Francisco no
sínodo sobre a família. "Eu não sou o Papa, não se dirijam a mim", teria
dito o papa emérito a cardeais que foram procurá-lo em segredo para
pedir que protestasse contra a política de Francisco.
Depois, ele enviou uma mensagem ao pontífice argentino para oferecer
ajuda teológica. "Quando Bento XVI se manifesta, sempre é para apoiar
Francisco", destacaram "atentos observadores" citados pelo La
Repubblica. Segundo fontes do Vaticano, o papa emérito, de perfil
conservador, recusa-se a ser usado contra seu sucessor.
Casamento gay
O prefeito de Roma, Ignazio Marino, reconheceu, no último sábado, a
validade de 16 casamentos gays, provocando a ira da Igreja Católica
Romana do país. "Hoje é um dia esplêndido", disse Marino na Prefeitura
de Roma, onde registrou o casamento de 11 casais do sexo masculino e
seis do sexo feminino. Embora o casamento gay seja ilegal na Itália,
algumas cidades têm permitido que homossexuais casados legalmente em
outros países registrem as uniões em prefeituras.
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