segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sínodo termina com beatificação de Paulo VI

Na missa com a presença de 70 mil pessoas, papa Francisco disse, durante a homilia, que a Igreja não deve temer mudanças e novos desafios
Na missa com a presença de 70 mil pessoas, papa Francisco disse, durante a homilia, que a Igreja não deve temer mudanças e novos desafios
FOTO: REUTERS
Cidade do Vaticano. O papa Francisco beatificou, ontem, Paulo VI durante missa na Praça de São Pedro, assistida por cerca de 70 mil pessoas. Depois do ritual pedido de beatificação apresentado pelo bispo de Brescia, Luciano Monari, Francisco pronunciou a fórmula em latim que declarou beato o pontífice.
"A partir de agora, o papa Paulo VI será chamado beato e sua festa se realizará, nos lugares e segundo as regras estabelecidas, em 26 de setembro de cada ano", disse o pontífice. O papa emérito Bento XVI também assistiu à beatificação.
O milagre atribuído a Paulo VI é a cura de um feto diagnosticado com graves problemas cerebrais no início de 1990 nos EUA. A mãe se recusou a abortar, rezou para o papa, e a criança nasceu saudável.

Sínodo
A missa também marcou o encerramento da assembleia de bispos católicos, conhecida como sínodo. O encontro, o primeiro comandado por Francisco, revelou profundas divisões sobre como tratar homossexuais e pessoas divorciadas, afirmando que a Igreja não deve temer mudanças e novos desafios.
O papa, que já disse querer uma Igreja mais misericordiosa e menos rígida, fez seus comentários durante a homilia. Para ele, o sínodo, que debateu durante duas semanas temas relacionados à família, foi uma "grande experiência de união e lembrou que a igreja deve curar as feridas e dar esperança. Por isso, deu graças a Deus pelo dom deste sínodo e pelo espírito construtivo com que todos colaboraram. "Que o Espírito Santo que, nestes dias intensos, concedeu-nos trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, acompanhe agora, nas igrejas de toda a Terra, o caminho de preparação do Sínodo Ordinário dos Bispos em outubro de 2015", acrescentou.
Apoio
Segundo revelou o jornal italiano La Repubblica, o papa emérito Bento XVI rejeitou as pressões dos cardeais conservadores que pediram a ele que se posicionasse contra a política de abertura do papa Francisco no sínodo sobre a família. "Eu não sou o Papa, não se dirijam a mim", teria dito o papa emérito a cardeais que foram procurá-lo em segredo para pedir que protestasse contra a política de Francisco.
Depois, ele enviou uma mensagem ao pontífice argentino para oferecer ajuda teológica. "Quando Bento XVI se manifesta, sempre é para apoiar Francisco", destacaram "atentos observadores" citados pelo La Repubblica. Segundo fontes do Vaticano, o papa emérito, de perfil conservador, recusa-se a ser usado contra seu sucessor.
Casamento gay
O prefeito de Roma, Ignazio Marino, reconheceu, no último sábado, a validade de 16 casamentos gays, provocando a ira da Igreja Católica Romana do país. "Hoje é um dia esplêndido", disse Marino na Prefeitura de Roma, onde registrou o casamento de 11 casais do sexo masculino e seis do sexo feminino. Embora o casamento gay seja ilegal na Itália, algumas cidades têm permitido que homossexuais casados legalmente em outros países registrem as uniões em prefeituras.

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