segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Marina declara voto e apoio a Aécio Neves

Marina Silva, ao lado de Beto Albuquerque, declarou seu apoio ao tucano dizendo não
Marina Silva, ao lado de Beto Albuquerque, declarou seu apoio ao tucano dizendo não "fazer nenhum acordo ou aliança para governar"
FOTO: ORLANDO BRITO/PSDB
São Paulo. A candidata derrotada à Presidência, Marina Silva (PSB), declarou ontem seu voto e apoio a candidatura do tucano Aécio Neves.
"Tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno. Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos", disse a pessebista.
Marina Silva assumiu a cabeça da chapa do PSB à Presidência após a morte de Campos no acidente aéreo em 13 de agosto.
Fora do segundo turno, Marina condicionou o apoio a Aécio a um alinhamento programático de suas propostas e as do tucano.

Parte das demandas de Marina já estava no programa de governo do tucano, mas ele elaborou uma "carta compromisso" contemplando reivindicações da pessebista.
"Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação. Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio", disse Marina na abertura de seu discurso ao lado do vice na sua chapa, Beto Albuquerque (PSB-RS).
Compromisso de Aécio
Ladeado pelos principais nomes do PSB em Pernambuco e de Albuquerque, Aécio Neves garantiu que dará prioridade à demarcação de terras indígenas e ampliará a reforma agrária.
Voltou a defender o fim da reeleição, mas não deixou claro se abriria mão de disputá-la em 2018. Disse que manterá e ampliará os programas sociais existentes. Em São Paulo, o coordenador da campanha de Marina, Walter Feldman, disse que a ex-senadora considerou a carta um avanço. Integrantes do grupo de Marina pediram ainda que Aécio desistisse de defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, ponto que ele não cedeu.
Apoio da família Campos
Aécio Neves (PSDB) também recebeu o apoio formal da viúva do ex-governador Eduardo Campos (PSB). Em carta lida por João, seu filho mais velho, Renata Campos disse acreditar "na capacidade de diálogo e gestão" do candidato e desejou "sorte" na corrida ao Planalto. Em comício em Sirinhaém, zona da mata de Pernambuco, Aécio disse que os "sonhos de Eduardo" agora são os seus sonhos.
Presidente do PSB adere a Dilma
Brasília. O presidente Nacional do PSB, Roberto Amaral, declarou neste fim de semana seu apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, e afirmou que seu partido traiu a luta de Eduardo Campos e ignorou lições de seus fundadores ao apoiar formalmente a candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em artigo publicado em seu blog pessoal, Amaral criticou a decisão tomada por seu partido classificando-a de 'suicídio político-ideológico' e uma opção pelo 'polo mais atrasado'.
"O apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática", disse Roberto Amaral.
"Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores - entre os quais me incluo - e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática", afirmou o socialista.
Debate interno
Na última quarta-feira (8), após reunião de sua Executiva, o PSB declarou seu apoio formal à candidatura de Aécio Neves, anúncio que contou com a presença do tucano na sede do partido em Brasília. Sete dos integrantes da Executiva - dentre eles Amaral - votaram pela neutralidade e um votou pelo apoio a Dilma.
No artigo, Amaral criticou o debate interno em sua legenda, afirmando que restringiu-se "à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado". Denunciou conversas sobre quadros da sigla que poderiam integrar o ministério de um governo do PSDB. O Diretório Nacional do PSB deve se reunir hoje para eleição de nova Executiva, o que inclui a presidência do partido.

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