Marina Silva, ao lado de Beto Albuquerque, declarou seu apoio ao
tucano dizendo não "fazer nenhum acordo ou aliança para governar"
FOTO: ORLANDO BRITO/PSDB
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São Paulo. A candidata derrotada à Presidência, Marina Silva (PSB), declarou ontem seu voto e apoio a candidatura do tucano Aécio Neves.
"Tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu
voto e meu apoio neste segundo turno. Votarei em Aécio e o apoiarei,
votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade
de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente,
entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam
cumpridos", disse a pessebista.
Marina Silva assumiu a cabeça da chapa do PSB à Presidência após a morte de Campos no acidente aéreo em 13 de agosto.
Fora do segundo turno, Marina condicionou o apoio a Aécio a um alinhamento programático de suas propostas e as do tucano.
Parte das demandas de Marina já estava no programa de governo do
tucano, mas ele elaborou uma "carta compromisso" contemplando
reivindicações da pessebista.
"Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma
carta compromisso com os brasileiros, com a nação. Rejeito qualquer
interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio", disse
Marina na abertura de seu discurso ao lado do vice na sua chapa, Beto
Albuquerque (PSB-RS).
Compromisso de Aécio
Ladeado pelos principais nomes do PSB em Pernambuco e de Albuquerque,
Aécio Neves garantiu que dará prioridade à demarcação de terras
indígenas e ampliará a reforma agrária.
Voltou a defender o fim da reeleição, mas não deixou claro se abriria
mão de disputá-la em 2018. Disse que manterá e ampliará os programas
sociais existentes. Em São Paulo, o coordenador da campanha de Marina,
Walter Feldman, disse que a ex-senadora considerou a carta um avanço.
Integrantes do grupo de Marina pediram ainda que Aécio desistisse de
defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, ponto que
ele não cedeu.
Apoio da família Campos
Aécio Neves (PSDB) também recebeu o apoio formal da viúva do
ex-governador Eduardo Campos (PSB). Em carta lida por João, seu filho
mais velho, Renata Campos disse acreditar "na capacidade de diálogo e
gestão" do candidato e desejou "sorte" na corrida ao Planalto. Em
comício em Sirinhaém, zona da mata de Pernambuco, Aécio disse que os
"sonhos de Eduardo" agora são os seus sonhos.
Presidente do PSB adere a Dilma
Brasília. O presidente Nacional do PSB, Roberto
Amaral, declarou neste fim de semana seu apoio à reeleição da presidente
Dilma Rousseff, e afirmou que seu partido traiu a luta de Eduardo
Campos e ignorou lições de seus fundadores ao apoiar formalmente a
candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em artigo publicado em seu blog pessoal, Amaral criticou a decisão
tomada por seu partido classificando-a de 'suicídio político-ideológico'
e uma opção pelo 'polo mais atrasado'.
"O apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a
única alternativa para a esquerda socialista e democrática", disse
Roberto Amaral.
"Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje
controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e
estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o
legado de seus fundadores - entre os quais me incluo - e menospreza o
árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e
democrática", afirmou o socialista.
Debate interno
Na última quarta-feira (8), após reunião de sua Executiva, o PSB
declarou seu apoio formal à candidatura de Aécio Neves, anúncio que
contou com a presença do tucano na sede do partido em Brasília. Sete dos
integrantes da Executiva - dentre eles Amaral - votaram pela
neutralidade e um votou pelo apoio a Dilma.
No artigo, Amaral criticou o debate interno em sua legenda, afirmando
que restringiu-se "à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e
recompensas nos desvãos do Estado". Denunciou conversas sobre quadros da
sigla que poderiam integrar o ministério de um governo do PSDB. O
Diretório Nacional do PSB deve se reunir hoje para eleição de nova
Executiva, o que inclui a presidência do partido.
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