O documento da OMS informa ainda que há maior porcentagem de
mortes relacionadas ao consumo de álcool entre os homens do que as
mulheres - 7,6% das mortes masculinas contra 4% das mortes femininas
FOTO: FÁBIO LIMA
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Genebra. O abuso no consumo de álcool no Brasil supera
a média mundial e apresenta taxas superiores a dezenas de países. Os
dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em um informe
publicado ontem, alerta que um total de 3,3 milhões de mortes no mundo
em 2012 foram causados pelo uso excessivo do álcool, 5,9% de todas as
mortes.
Mas o que mais preocupa a OMS são os casos de abusos no consumo. No
mundo, a média é de 7,5% da população que experimentou em algum ponto do
ano um caso de um consumo excessivo de álcool. No Brasil, porém, a taxa
é de 12,5%. Num ranking de números de anos perdidos de vida saudável,
Brasil está entre os líderes. Em todo o mundo, a Europa é o continente
onde os índices de consumo são os mais elevados per capita, com diversos
países apresentando taxas acima de 10 litros por ano.
Segundo a entidade, não apenas a bebida pode gerar dependência, mas
também poderia levar ao desenvolvimento de outras 200 doenças.
A proporção de mortes associadas ao álcool é superior à mortalidade
ligada ao HIV (2,8%), à violência (0,9%) e à tuberculose (1,7%),
concluiu a organização no Relatório Global sobre o Álcool e a Saúde
2014.
Além disso, um terço dos homens pesquisados admite já ter dirigido alguma vez sob efeito do álcool.
Consumo médio
Entre 194 países avaliados, a OMS concluiu que o consumo médio mundial
para pessoas acima de 15 anos é de 6,2 litros de álcool puro por ano, o
que equivale a 13,5 gramas de álcool puro por dia. No caso do Brasil, os
dados apontam que o consumo médio é de 8,7 litros por pessoa por ano.
Esse volume caiu entre 2003 e 2010. Há dez anos, a taxa era de 9,8
litros por pessoa.
Mas as projeções até 2025 mostram que o consumo voltará a aumentar,
ultrapassando a marca de 10,1 litros por ano por pessoa. Em 1985, o
consumo não chegava a quatro litros por pessoa por ano. No caso
brasileiro, a diferença entre o consumo masculino e feminino é profundo.
Entre os homens, a taxa chega a mais de 13 litros por ano. Para as
mulheres, é de apenas 4 litros. Segundo a pesquisa, 60% do consumo é de
cerveja e só 4% do é representado pelo vinho.
Excesso
Mais de 3 milhões de pessoas morreram em decorrência do consumo de
álcool em 2012, por causas que variaram desde câncer até a violência,
segundo a OMS. A Organização fez um pedido para que os governos façam
mais esforços para limitar esses danos. "Mais precisa ser feito para
proteger populações das consequências negativas à saúde por conta do
consumo de álcool", disse Oleg Chestnov, especialista da OMS em doenças
crônicas e saúde mental. Para ele "não há espaço para complacência
quando se trata de reduzir o consumo nocivo de álcool".
"Descobrimos que, mundialmente, 16% daqueles que bebem participam de
episódios de consumo pesado, que são os mais danosos à saúde", disse o
diretor de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, Shekhar Saxena.
Pessoas mais pobres são geralmente as mais afetadas pelas consequências
sociais e à saúde ocasionadas pelo uso do álcool, disse ele.
"Elas frequentemente carecem de cuidados à saúde de qualidade e são
menos protegidas por redes funcionais de família e comunidade".
Medidas de proteção
O estudo descobriu que alguns países estão reforçando medidas para
proteger as pessoas do consumo exagerado. Elas incluem aumento de
impostos sobre o álcool, limitação da disponibilidade do produto por
imposição de limites de idade e regulamentação da divulgação.
A OMS disse que a análises de tendências globais mostra que o consumo
tem sido estável nos últimos cinco anos na Europa, na África e nas
Américas. Mas tem crescido no Sudeste Asiático e na região ocidental do
Pacífico.
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