sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Assaltos aumentam sem portas giratórias

Vulnerabilidade das agências bancárias tem sido um tema recorrente no País
No Ceará, tramita um projeto de lei na Câmara Municipal de Fortaleza sobre a obrigatoriedade dos equipamentos

De 2011 para cá, três ações criminosas a bancos foram facilitadas pela falta de portas giratórias no Ceará. No total, em 2012 já foram oito ataques a agências. No ano passado, foram registradas 39 ações no geral, com 49 mortes. Há duas semanas, uma agência do Bradesco localizada no Bairro de Fátima, que não tinha o equipamento, foi assaltada. Os números mostram que o item de segurança faz falta na medida em que coíbe a entrada dos assaltantes, levantando a discussão sobre o investimento em medidas de segurança pelos bancos.
O assunto veio à tona com o anúncio da retirada das portas giratórias por agências do Itaú/Unibanco e Bradesco em São Paulo, por conta do constrangimento sofrido por clientes diante de dificuldades de acesso às agências após o travamento das portas. Contudo, autoridades policiais e o Sindicato dos Bancários do Estado (SEEB/CE) temem a medida.

De acordo com o delegado Romério Almeida, da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), os assaltos a bancos são mais comuns em locais que não possuem as portas giratórias. "É uma facilidade a mais. Evidentemente que quando não há esse item de segurança é mais fácil adentrar as localidades".

Os ataques têm acontecido no horário de funcionamento, quando há clientes e servidores nos bancos. O delegado conta que, no último assalto, os próprios criminosos admitiram que procuraram a agência por ser mais simples de entrar.

"É uma maneira de preservar a vida dos clientes. O detector de metais inibe as pessoas que vão de posse de arma", explica. Para ele, os bancos sem esse tipo de instrumento passam a ter a mesma vulnerabilidade de um mercadinho, por exemplo. "A porta é um equipamento de segurança e trata-se de uma medida preventiva contra assaltos", lembra. Almeida acredita que a retirada dos equipamentos seja um retrocesso do sistema bancário de segurança.

O presidente do SEEB/CE, Carlos Eduardo Bezerra, destaca que não é razoável a retirada das portas giratórias pelas agências bancárias. "O sindicato vem negociando com os bancos o aumento dos equipamentos de segurança. Alguns têm sido multados porque não colocam sequer os itens obrigatórios, que são os alarmes e os vigilantes. São empresas que possuem dinheiro mais que suficiente para bancar os mecanismos necessários, mas eles insistem em diminuir a segurança, tornando o sistema precarizado", ressalta.

Interior
Carlos Eduardo Bezerra revela que o SEEB está preocupado com o nível de violência do Interior do Estado que aumenta a cada dia. "Não há justificativa para a decisão de retirar os equipamentos dos bancos", critica. A instalação dos instrumentos de segurança nas agências é uma luta antiga do SEEB/CE.

A lei federal não prevê a obrigatoriedade de portas giratórias nos bancos, mas alguns estados e municípios exigem a presença do equipamento. O banco Itaú afirmou que vai cumprir as legislações municipais e estaduais. No Ceará, ainda não há a obrigatoriedade, mas tramita um projeto de lei na Câmara Municipal de Fortaleza que força as agências da Capital a implantarem ou manterem os equipamentos.

Outra lei que tramita no Estado é a instalação de biombos entre a fila de espera e os caixas para impedir a visualização das operações bancárias por terceiros, com o intuito de melhorar a segurança dos bancos e evitar crimes como o da "saidinha".

Processo
Em nota à imprensa, o Itaú Unibanco esclareceu que a retirada das portas giratórias das suas agências em todo o país faz parte de um processo que começou logo após a fusão entre os dois bancos, ocorrida no ano de 2008, que busca mais proximidade e transparência no atendimento ao cliente.

A assessoria de imprensa do banco informa que, embora sem a porta giratória (substituída por outros mecanismos), as novas unidades mantiveram o mesmo nível de segurança oferecido anteriormente. A segurança do setor bancário é regida pela lei 7.102/83. Conforme o Itaú, todas as agências possuem plano de segurança baseado nesta lei e são periodicamente fiscalizadas pela Polícia Federal.

Já o Bradesco afirmou, em nota, não ter como política a retirada das portas giratórias de sua rede de agências. Segundo a assessoria de imprensa do banco, a empresa segue um plano de segurança próprio aprovado pela Polícia Federal.

INSEGURANÇA
8 ataques a bancos foram registrados, neste ano, no Ceará. Um ocorreu há duas semanas contra uma agência do Bradesco, que não tinha o equipamento

39 ações criminosas a agências bancárias aconteceram no ano passado, totalizando 49 mortes. Boa parte delas a locais sem porta giratória

LINA MOSCOSOREPÓRTER

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