domingo, 18 de dezembro de 2011

Morre Joãosinho Trinta

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A carreira de Joãosinho foi acompanhada de polêmicas, como a do carro com Cristo mendigo proibido em 1989
FOTO: FOLHA PRESS
Outra perda do mundo artístico ontem foi do ator e diretor Sérgio Britto, que faleceu no Rio de Janeiro
São Luís. O carnavalesco Joãosinho Trinta, 78, morreu ontem. Ele estava internado desde o último dia 3 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do UDI Hospital, em São Luís, cidade onde nasceu. Fiel à máxima de que "Pobre não gosta de pobreza, gosta de luxo", o maranhense foi um dos responsáveis por modernizar o Carnaval do Rio. Nascido João Clemente Jorge Trinta, em 1933, o carnavalesco, artista plástico, cenógrafo e bailarino chegou à Capital carioca em 1951, aos 18 anos. Cinco anos depois, passou a integrar o Balé do Teatro Municipal do Rio. Amigo do poeta Ferreira Gullar, chegou a dividir um apartamento no Catete com o conterrâneo.

Em 1963, ingressou na Acadêmicos do Salgueiro e ajudou o carnavalesco Arlindo Rodrigues com o enredo "Xica da Silva" (samba-enredo de Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira). A escola foi campeã.

Criador dos grandes carros alegóricos, só foi "assinar" um desfile como carnavalesco em 1974, também para o Salgueiro. Membro da equipe de Fernando Pamplona, Trinta ajudou a transformar os desfiles no que são hoje. Repleta de sucessos, a carreira de Trinta como carnavalesco foi polêmica.

Em 1989, a Beija-Flor de Nilópolis, então sob o comando do carnavalesco, foi impedida de levar para o Sambódromo a imagem de um Cristo mendigo dentro do enredo "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia".

Para burlar a proibição e ao mesmo tempo criticar a Igreja, que havia recorrido à Justiça para vetar o uso da imagem, Joãosinho envolveu a estátua em plástico preto, com uma faixa onde se lia "Mesmo proibido, olhai por nós". A escola ficou em segundo lugar - a campeã foi a Imperatriz Leopoldinense -, mas o carnavalesco fez um desfile histórico, lembrado até hoje como um dos mais emocionantes da passarela do samba.

Foram 17 anos na Beija-Flor de Nilópolis, mas no início dos anos 2000 Joãosinho transferiu-se para a Grande Rio.

Em 2004, a escola de samba o demitiu horas antes da apuração oficial, alegando insatisfação com a concepção do enredo "Vamos Vestir a Camisinha, Meu Amor...". Joãosinho se afastou do Carnaval em 2006, depois de sofrer um segundo acidente vascular cerebral - o primeiro foi em 2004. De tão associado à festa virou tema de documentário, livro e, claro, samba enredo. No filme "A raça síntese de Joãosinho Trinta", lançado em 2009, os autores investigam o processo de criação de um enredo para uma das muitas escolas de samba em que ele trabalhou.

No Rio, atuou na Beija-Flor, Viradouro, Rocinha, Grande Rio e Vila Isabel, onde coordenou seu último Carnaval. Atualmente, Trinta estava no Maranhão trabalhando em projetos da Secretaria da Cultura.

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