terça-feira, 15 de novembro de 2011

La Nina é indicativo de boa quadra chuvosa para 2012

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Segundo a Funceme, chuvas de qualidade para a próxima quadra só será confirmada a partir de janeiro do próximo ano
Fortaleza. A Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) admitiu, ontem, que o fenômeno La Niña, está configurado no Oceano Pacífico. Com isso, historicamente, sabe-se que há indicadores de uma boa quadra chuvosa para o próximo ano A ocorrência se dá pelo resfriamento anômalo das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental. O fato vem acontecendo desde julho passado, mas em vista da necessidade de se verificar mapas meteorológicos em todo Mundo, somente, ontem, se divulgou não apenas a existência de La Niña, como sua permanência até junho de 2012.

Para o gerente de meteorologia da Funceme, Geraldo Ferreira, ainda é prematuro para avaliar que haverá uma quadra chuvosa acima do normal na Região. Ele explicou que outros fatores influem na estação, especialmente os efeitos climáticos sobre o Atlântico.

Contudo, ressalta que há cientificamente comprovação que ao contrário do El Niño, com efeitos negativos sobre o quadro de chuvas no Nordeste, La Nïña, é positiva.

"Normalmente, não causa impacto negativo, mas precisamos reforçar nosso diagnóstico, também nos estudos sobre o Atlântico, que apresentam melhor configuração a partir de janeiro", disse ele.

Um dos efeitos da atuação de La Niña é a ocorrência de frentes frias, atingindo particularmente o Estado da Bahia. Isso não apenas vem ocorrendo, as chuvas têm sido quase 300% superiores, no período de 1º a 13 deste mês, do que igual período em anos que o fenômeno não se encontra em atuação.

Com chuvas e frentes, também há uma grande nebulosidade no céu, favorecendo um conforto térmico que é incomum em meses como novembro.

Impacto
De acordo com Geraldo Ferreira, os impactos mais sensíveis sobre as chuvas, decorrentes desse quadro no Oceano Pacífico, deverão ser sentidos entre os meses de janeiro.

Daí que considera prematuro se fazer um prognóstico da quadra chuvosa, antes de janeiro, quando há mais evidência sobre a climatologia no Atlântico.

O gerente de Meteorologia da Funceme explica que sem uma definição do Atlântico se corre o risco de especulações sobre a qualidade de chuvas locais. Ele afirmou que o quadro de conforto térmico é causado pela frente fria, mais chuvas ocorridas este mês e a intensificação dos ventos, que não se constitui num fator atípico entre desde os meses de setembro a dezembro.

"As chuvas tem resfriado a superfície e isso causa uma melhor sensação térmica. Mas não há um quadro favorável de chuvas no Estado. Há regiões onde não houve nenhuma precipitação", observa.

De acordo com o mapa divulgado, ontem, pela Funceme, nos 13 primeiros dias deste mês houve um aumento de 296,2%, comparando igual período pela média histórica. Enquanto que normalmente se chove 6,8 mm, até o momento as precipitações somaram no Estado 27,1 mm.

Intensidade
As chuvas mais intensas aconteceram no Cariri, com 52mm, enquanto que a média é de 12,3mm, significando num desvio de 324%. Em seguida, apareceu o Maciço do Baturité, onde foram observados 26,2 mm, sendo que a média é de 6,8%, numa diferença de 286,3%. Já no Litoral, a melhor performance aconteceu no Pecém, com 5,7mm observados, enquanto a média registra 2,1mm, causando um desvio de 167,5%. Já no litoral Norte, não foi observada nenhuma precipitação, enquanto que a média é de 1,5mm, no desvio 100% negativo. La Niña é o oposto do El Niño, pois as temperaturas habituais da água do mar à superfície no Pacífico situam-se em torno de 25ºC, ao passo que, com La Niña, tais temperaturas diminuem para cerca de 22º C. Assim como o El Niño, La Niña também pode variar em intensidade.

Variação
296 pORcento é o desvio positivo de chuvas ocorridas nos 13 primeiros dias deste mês, comparando com igual período da média histórica (que leva em consideração os últimos 30 anos)

MAIS INFORMAÇÕES
FundaçâO Cearense de Meteorologia (Funceme)
Avenida Rui Barbosa, 1246 - Aldeota
Telefone: 3101-1088


MARCUS PEIXOTORepórter

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