O patrimônio representa a primeira farmácia de manipulação do Ceará, estabelecida em Fortaleza há 77 anos RAFA ELEUTÉRIO |
Proprietárias do imóvel, no Centro, emitiram notificação de despejo dando prazo até dia 4 para a saída do local
A tradicional Farmácia Oswaldo Cruz, fundada em 1934 no Centro de Fortaleza, corre risco de fechar, de sumir da paisagem e memória da Capital. O patrimônio - que representa a primeira farmácia de manipulação do Ceará - instalado há 77 anos em terreno alugado, pode fechar suas portas daqui a exatos 18 dias. Tudo por conta de uma notificação extrajudicial de despejo, emitida no último dia 4 pelas proprietárias do prédio, dando um prazo de 30 dias para desocupação do charmoso sobrado na Praça do Ferreira. O clima entre funcionários e clientes é de lamentação e temor. Por coincidência ou não, as ameaças surgem durante o início do processo de tombamento pela Secretaria Municipal de Cultura (Secultfor).
A proprietária da farmácia, Fátima Ciarlini, não consegue esconder a tristeza com o possível desfecho infeliz. Ela até mareja os olhos e apela para sensibilidade das locatárias do prédio e para uma ação mais enérgica do poder público de não deixar esse patrimônio se acabar e, quem sabe, até poder comprá-lo.
Segundo Fátima, as investidas não são recentes. Já no começo do ano, a empresa gerenciadora anunciou reajuste mensal do aluguel três vezes maior que o valor inicial combinado.
"Fizeram um aumento absurdo e ilegal. Não vamos aceitar. Não podem descaracterizar o prédio, transformá-lo em uma igreja ou em uma loja de sapataria como querem. Temos história e não podem, simplesmente, enterrar a memória da nossa cidade", disse a filha do famoso farmacêutico Edgar Rodrigues.
Falecido há três anos, Rodrigues ficou conhecido por ser um "consultor" dos pobres doentes, achar fórmulas e soluções para quem não tinha acesso à saúde.
O advogado Eduardo Pragmácio, representante da família gerenciadora da Farmácia, critica a ação dos locatários em querer acabar com um patrimônio e impor situações abusivas.
"Vamos recorrer ao pedido de despejo e nos utilizarmos do fato do prédio está em processo de tombamento pela Secultfor e não poder ser desconfigurado na sua estrutura", afirmou.
Sobre o fato, Clélia Monastério, coordenadora de patrimônio histórico-cultural da Secultfor, lamentou o incidente e comentou que o local está, sim, formalmente protegido.
"Não podemos nos pronunciar sobre uma possível possibilidade de compra ou intervenção maior da que vá além do tombamento", ressaltou Clélia. Ela informou que as proprietárias do prédio até chegaram a tentar impugnar o pedido de tombamento, mas o conselho de patrimônio não acatou tal medida.
Sobre a questão, a empresa gerenciadora do terreno não quis comentar o assunto.
IVNA GIRÃOREPÓRTER
A tradicional Farmácia Oswaldo Cruz, fundada em 1934 no Centro de Fortaleza, corre risco de fechar, de sumir da paisagem e memória da Capital. O patrimônio - que representa a primeira farmácia de manipulação do Ceará - instalado há 77 anos em terreno alugado, pode fechar suas portas daqui a exatos 18 dias. Tudo por conta de uma notificação extrajudicial de despejo, emitida no último dia 4 pelas proprietárias do prédio, dando um prazo de 30 dias para desocupação do charmoso sobrado na Praça do Ferreira. O clima entre funcionários e clientes é de lamentação e temor. Por coincidência ou não, as ameaças surgem durante o início do processo de tombamento pela Secretaria Municipal de Cultura (Secultfor).
A proprietária da farmácia, Fátima Ciarlini, não consegue esconder a tristeza com o possível desfecho infeliz. Ela até mareja os olhos e apela para sensibilidade das locatárias do prédio e para uma ação mais enérgica do poder público de não deixar esse patrimônio se acabar e, quem sabe, até poder comprá-lo.
Segundo Fátima, as investidas não são recentes. Já no começo do ano, a empresa gerenciadora anunciou reajuste mensal do aluguel três vezes maior que o valor inicial combinado.
"Fizeram um aumento absurdo e ilegal. Não vamos aceitar. Não podem descaracterizar o prédio, transformá-lo em uma igreja ou em uma loja de sapataria como querem. Temos história e não podem, simplesmente, enterrar a memória da nossa cidade", disse a filha do famoso farmacêutico Edgar Rodrigues.
Falecido há três anos, Rodrigues ficou conhecido por ser um "consultor" dos pobres doentes, achar fórmulas e soluções para quem não tinha acesso à saúde.
O advogado Eduardo Pragmácio, representante da família gerenciadora da Farmácia, critica a ação dos locatários em querer acabar com um patrimônio e impor situações abusivas.
"Vamos recorrer ao pedido de despejo e nos utilizarmos do fato do prédio está em processo de tombamento pela Secultfor e não poder ser desconfigurado na sua estrutura", afirmou.
Sobre o fato, Clélia Monastério, coordenadora de patrimônio histórico-cultural da Secultfor, lamentou o incidente e comentou que o local está, sim, formalmente protegido.
"Não podemos nos pronunciar sobre uma possível possibilidade de compra ou intervenção maior da que vá além do tombamento", ressaltou Clélia. Ela informou que as proprietárias do prédio até chegaram a tentar impugnar o pedido de tombamento, mas o conselho de patrimônio não acatou tal medida.
Sobre a questão, a empresa gerenciadora do terreno não quis comentar o assunto.
IVNA GIRÃOREPÓRTER
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