Romário baseou suas perguntas nas reportagens de Andrew Jennings, jornalista britânico que fez denúncias contra a Fifa FOTO: TUNO VIEIRA |
Na Câmara Federal, Romário cobra explicações de Teixeira e Valcke a respeito de denúncias de corrupção
O ex-jogador e deputado federal Romário (PSB-RJ) aproveitou a audiência da comissão especial da Câmara que discute a Lei Geral da Copa, ontem, em Brasília, para fazer questionamentos ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e ao presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, Ricardo Teixeira, sobre denúncias de corrupção. Mas os dois se recusaram a responder as perguntas. Os questionamentos de Romário tiveram como base as acusações feitas pelo jornalista escocês Andrew Jennings, da rede britânica BBC. Ele citou uma declaração do presidente da Fifa, Joseph Blatter, na qual Jérôme Valcke era descrito como "chantagista". O deputado levantou ainda o "caso Mastercard", quando a Fifa trocou a empresa de cartões de crédito por uma concorrente, a Visa, e foi condenada judicialmente por não respeitar cláusula de preferência - na ocasião, Valcke chegou a ser demitido da Fifa, mas foi recontratado depois e agora ocupa o segundo cargo na hierarquia da entidade.
Propina
Em relação a Ricardo Teixeira, o deputado lembrou que o presidente da CBF prestou depoimento à Polícia Federal sobre a denúncia de que teria recebido propina. Também segundo denúncia de Andrew Jennings, Ricardo Teixeira fez um acordo com a Justiça da Suíça, tendo devolvido o dinheiro da suposta propina e mantendo sigilo no caso. "O senhor recebeu propina? Se o seu nome aparecer no processo, o senhor renuncia à CBF e ao Comitê Organizador Local?", questionou Romário.
Valcke e Teixeira manifestaram irritação com as perguntas de Romário. O secretário-geral afirmou que o jornalista da BBC tem problemas com a Fifa e, por isso, o ataca. Afirmou ainda que o "caso Mastercard" está julgado e concluído. Disse que não falaria sobre o tema e que as denúncias não o impedem de dormir. Ricardo Teixeira, por sua vez, destacou ter aberto uma ação civil contra Andrew Jennings e também não respondeu aos questionamentos.
O deputado se irritou com a falta de respostas e com o presidente da comissão, Renan Filho (PMDB-AL), que o impediu de insistir nas perguntas. "O brasileiro tem direito de saber com quem está lidando. É importante para a Copa, sim. Isso aqui é um circo", reclamou Romário.
As palavras do ex-jogador foram ainda mais duras em entrevista à emissora Espn Brasil, na noite de ontem. "A gente tem que torcer, como brasileiros, para que todas essas pessoas que foram citadas no meio dessas corrupções, no mínimo sejam presas até 2014", afirmou.
ALTERNATIVA À MEIA-ENTRADAFifa propõe ingresso ´popular´
A Fifa ofereceu ao governo a criação de um ingresso com preço reduzido para brasileiros na Copa-2014 em troca da suspensão da meia-entrada para estudantes no evento. O bilhete, de categoria 4, foi apresentado como solução pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke.
São ingressos no valor de US$ 25 (R$ 43,50) para jogos da 1ª fase da Copa, com exceção da partida de abertura. É a mesma fórmula empregada no Mundial da África do Sul, em 2010.
Um bilhete da "categoria 1", em local mais nobre, deverá custar US$ 300. Mas os preços não estão fechados.
A questão da meia-entrada é um dos pontos polêmicos na organização da Copa.
Agora, a entidade pretende obter acordo com o governo brasileiro para definir o ingresso especial para brasileiros, que deve se restringir a 12% da carga de ingressos.
O secretário-geral disse que há "dificuldades técnicas" para vender a meia-entrada. Há a questão dos cambistas e também possíveis pedidos de isonomia de idosos e estudantes estrangeiros. "Não é questão de dinheiro", afirmou Valcke sobre as restrições à meia-entrada.
Bebidas alcoólicas
Valcke voltou a defender a venda de cerveja nos estádios de "forma controlada". Uma cervejaria é patrocinadora da Fifa. Para isso, será preciso derrubar leis estaduais, o que é defendido por alguns deputados e criticado por outros.
Já o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que o governo não tem posicionamento definido sobre o "ingresso social", mas deixou claro que o projeto da Lei da Copa atribui à Fifa a responsabilidade pela definição dos ingressos.
Entretanto, o novo titular da pasta solicitou que Jérôme Valcke facilite a venda de bilhetes para a Copa a indígenas e beneficiários do Bolsa Família.
O ex-jogador e deputado federal Romário (PSB-RJ) aproveitou a audiência da comissão especial da Câmara que discute a Lei Geral da Copa, ontem, em Brasília, para fazer questionamentos ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e ao presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, Ricardo Teixeira, sobre denúncias de corrupção. Mas os dois se recusaram a responder as perguntas. Os questionamentos de Romário tiveram como base as acusações feitas pelo jornalista escocês Andrew Jennings, da rede britânica BBC. Ele citou uma declaração do presidente da Fifa, Joseph Blatter, na qual Jérôme Valcke era descrito como "chantagista". O deputado levantou ainda o "caso Mastercard", quando a Fifa trocou a empresa de cartões de crédito por uma concorrente, a Visa, e foi condenada judicialmente por não respeitar cláusula de preferência - na ocasião, Valcke chegou a ser demitido da Fifa, mas foi recontratado depois e agora ocupa o segundo cargo na hierarquia da entidade.
Propina
Em relação a Ricardo Teixeira, o deputado lembrou que o presidente da CBF prestou depoimento à Polícia Federal sobre a denúncia de que teria recebido propina. Também segundo denúncia de Andrew Jennings, Ricardo Teixeira fez um acordo com a Justiça da Suíça, tendo devolvido o dinheiro da suposta propina e mantendo sigilo no caso. "O senhor recebeu propina? Se o seu nome aparecer no processo, o senhor renuncia à CBF e ao Comitê Organizador Local?", questionou Romário.
Valcke e Teixeira manifestaram irritação com as perguntas de Romário. O secretário-geral afirmou que o jornalista da BBC tem problemas com a Fifa e, por isso, o ataca. Afirmou ainda que o "caso Mastercard" está julgado e concluído. Disse que não falaria sobre o tema e que as denúncias não o impedem de dormir. Ricardo Teixeira, por sua vez, destacou ter aberto uma ação civil contra Andrew Jennings e também não respondeu aos questionamentos.
O deputado se irritou com a falta de respostas e com o presidente da comissão, Renan Filho (PMDB-AL), que o impediu de insistir nas perguntas. "O brasileiro tem direito de saber com quem está lidando. É importante para a Copa, sim. Isso aqui é um circo", reclamou Romário.
As palavras do ex-jogador foram ainda mais duras em entrevista à emissora Espn Brasil, na noite de ontem. "A gente tem que torcer, como brasileiros, para que todas essas pessoas que foram citadas no meio dessas corrupções, no mínimo sejam presas até 2014", afirmou.
ALTERNATIVA À MEIA-ENTRADAFifa propõe ingresso ´popular´
A Fifa ofereceu ao governo a criação de um ingresso com preço reduzido para brasileiros na Copa-2014 em troca da suspensão da meia-entrada para estudantes no evento. O bilhete, de categoria 4, foi apresentado como solução pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke.
São ingressos no valor de US$ 25 (R$ 43,50) para jogos da 1ª fase da Copa, com exceção da partida de abertura. É a mesma fórmula empregada no Mundial da África do Sul, em 2010.
Um bilhete da "categoria 1", em local mais nobre, deverá custar US$ 300. Mas os preços não estão fechados.
A questão da meia-entrada é um dos pontos polêmicos na organização da Copa.
Agora, a entidade pretende obter acordo com o governo brasileiro para definir o ingresso especial para brasileiros, que deve se restringir a 12% da carga de ingressos.
O secretário-geral disse que há "dificuldades técnicas" para vender a meia-entrada. Há a questão dos cambistas e também possíveis pedidos de isonomia de idosos e estudantes estrangeiros. "Não é questão de dinheiro", afirmou Valcke sobre as restrições à meia-entrada.
Bebidas alcoólicas
Valcke voltou a defender a venda de cerveja nos estádios de "forma controlada". Uma cervejaria é patrocinadora da Fifa. Para isso, será preciso derrubar leis estaduais, o que é defendido por alguns deputados e criticado por outros.
Já o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que o governo não tem posicionamento definido sobre o "ingresso social", mas deixou claro que o projeto da Lei da Copa atribui à Fifa a responsabilidade pela definição dos ingressos.
Entretanto, o novo titular da pasta solicitou que Jérôme Valcke facilite a venda de bilhetes para a Copa a indígenas e beneficiários do Bolsa Família.
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