sexta-feira, 20 de abril de 2018

Joesley diz que pagou mesada de R$ 50 mil para Aécio durante dois anos

Em nota, o advogado de Aécio Neves afirmou que Joesley Batista se aproveita de uma "relação comercial lícita" para "forjar mais uma falsa acusação" ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
Diário do Nordeste
O empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS, afirmou que pagou, durante dois anos, uma mesada de R$ 50 mil por mês para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Em delação feita à Procuradoria-Geral da República, o empresário disse os pagamentos eram realizados através de uma rádio na qual o senador era sócio. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com Joesley, a mesada foi solicitada pelo próprio Aécio durante um encontro no Rio de Janeiro. O tucano teria dito que usaria o dinheiro para "custeio mensal de suas despesas".
Os pagamentos destinados a Aécio eram feitos à rádio Rádio Arco Íris, afiliada da Jovem Pan em Belo Horizonte. Joesley Batista entregou à Procuradoria 16 notas fiscais, emitidas pela JBS entre 2015 e 2017, nas quais constam o valor de R$ 54 mil. A soma das notas revela que a JBS pagou à radio R$ 864 mil. 
As notas fiscais apresentadas têm como justificativa a prestação de "serviço de publicidade" e são descritas como "patrocínio do Jornal da Manhã", um dos programas da rádio. O dono da JBS afirmou que os pagamentos eram feitos a fim de manter um bom relacionamento com o senador e disse não saber se os serviços pagos foram realmente prestados.


As alegações de Joesley fazem parte da delação entregue à PGR em 31 de agosto do ano passado.

Transação investigada
Em março deste ano, documentos da Junta Comercial de Minas Gerais mostraram que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não informou ao órgão R$ 6,6 milhões da venda de suas cotas na rádio Arco Íris, de Belo Horizonte, à sua irmã Andrea, em 2016.

Por ter vendido as cotas para sua irmã, Aécio teve seu patrimônio declarado aumentado de R$ 2,5 milhões em 2015 para R$ 8 milhões em 2016. Por dois anos, em 2014 e 2015, o tucano declarou à Receita que as cotas valiam R$ 700 mil na forma de uma dívida que mantinha com a antiga dona, sua mãe, a ser paga em 2012 e depois prorrogada até dezembro de 2016.

Aécio decidiu naquele ano vender suas cotas à outra sócia na rádio, Andrea, por R$ 6,6 milhões.

O que diz a defesa
Po meio de nota, o advogado de Aécio Neves, Alberto Toron, disse que Joesley Batista se aproveita de uma "relação comercial lícita" para "forjar mais uma falsa acusação". Toron confirmou a relação financeira entre JBS e a rádio Arco Íris, mas negou que se tratasse de uma mesada para o senador.

"O senador jamais fez qualquer pedido nesse sentido ao delator, da mesma forma que, em toda a sua vida pública, não consta nenhum ato em favor do grupo empresarial."

De acordo com a defesa de Aécio, as declarações demonstram má-fé e desespero por parte de Joesley. "A afirmação do delator de que não sabia se os serviços teriam sido prestados demonstra o alcance da sua má-fé, já que bastaria uma consulta ao setor de comunicação das suas empresas para constatar que os serviços foram correta e efetivamente prestados", disse.

"A falta de credibilidade e as sucessivas mentiras e omissões praticadas pelo delator levaram a PGR a pedir a rescisão dos benefícios de sua delação e contribuem para desqualificar mais uma mentira desse cidadão", afirmou.

Procurada, a rádio Arco Iris se disse "surpresa" com o relato de Joesley por tentar "dar caráter político a uma relação estritamente comercial, comprovadamente correta, legal e legítima na prestação de serviços publicitários".

De acordo com a empresa, a relação com a JBS está documentada por trocas de e-mails com tratativas com os setores de marketing de marcas do grupo de Joesley, como Vigor, Itambé e Seara. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário