quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Dirigir sem capacete é a infração mais frequente entre os motociclistas, diz Detran

Das quase 28 mil infrações registradas pelo Detran no primeiro trimestre deste ano 2017, 5,9 mil foram por conduzir moto sem capacete ( Foto: Reinaldo Jorge )
por Nícolas Paulino-Diário do Nordeste
Com mais de 3 milhões de veículos circulando e 2 milhões de condutores habilitados, conforme os dados mais recentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), o tráfego nas cidades cearenses pulsa, das vias livres na madrugada aos extensos congestionamentos matutinos. Porém, nem todos os motoristas seguem as normas ao volante ou ao guidão e, quando são abordados pelos agentes fiscalizadores, surgem as mais variadas desculpas para a condução indevida dos veículos.

Das quase 28 mil infrações registradas pelo Detran no primeiro trimestre de 2017, 5,9 mil foram por condução de motocicleta sem capacete; 4,3 mil por estacionamento irregular; 3,2 mil por condução de veículos não licenciados; 1,8 mil por condução sem habilitação; 915 por não uso do cinto de segurança e 748 por direção sob influência do álcool. No período, o órgão realizou 2 mil blitze e identificou 21,5 mil veículos irregulares.

Segundo o major Rubens Pereira, da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), "é muito difícil abordar alguém numa blitz e essa pessoa ser sincera e honesta", nem mesmo quando os fiscais puxam informações do sistema de penalidades do Detran ou da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). Para os transgressores, o erro sempre "está no sistema".

Dos não-licenciados, escutam: "Eu ia regularizar amanhã" ou "Não estou em condições de pagar agora". De quem não usa o cinto de segurança: "Acabei de sair do posto/farmácia e esqueci de colocar". De quem dirige veículos clonados: "Eu não sabia" ou "O carro é emprestado". O pior para o agente, porém, é quem tenta minimizar a ingestão de álcool. "Dizem que não tomaram, ou que tomaram só um pouquinho", conta. O chefe de policiamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF-CE), Ricardo Araújo, afirma que, além dos problemas financeiros, os motivos mais ouvidos pelos agentes são o desconhecimento dos defeitos em equipamentos.

"Eles têm conhecimento da lei, mas não sabem respeitá-la. Quando se faz uma regulamentação e se limita o direito de transitar, é pensando na segurança deles. Alguns não usam o cinto dizendo que é incômodo, mas a possibilidade de sair ileso de um acidente é muito alta. Já atendi a algumas ocorrências em que o carro estava acabado, mas o condutor não tinha um arranhão", salienta.

Acidentes

Araújo acredita que falta conscientização da maioria dos condutores no engajamento por um trânsito mais seguro, defendido pelas campanhas nacionais de trânsito todos os anos. Segundo levantamento do Detran, em todo o ano passado, foram registrados quase 28 mil acidentes de trânsito no Estado, com 2.207 vítimas fatais. Outras 10.777 pessoas ficaram feridas.

Divulgada na última segunda (25), uma pesquisa nacional realizada pela empresa Arteris avaliou as principais desculpas de 2.686 motoristas, das cinco regiões do País, ao assumirem comportamentos de risco no trânsito. A infração mais recorrente foi o uso do celular: 51,9% dos brasileiros já utilizaram o aparelho ao dirigir. Nesse caso, as desculpas foram o uso de aplicativos de localização ou música (37,7%) e a realização ou recebimento de ligações importantes ou urgentes (36,1%).

Segundo a pesquisa, dos 8,9% de brasileiros que nem sempre utilizam o cinto de segurança, 35,5% usaram a desculpa da falta de atenção e, 12,8%, da baixa necessidade de uso do cinto em trajetos curtos.

Quanto ao excesso de velocidade, 40,7% dos motoristas admitiram abusar dos limites em determinadas ocasiões. Desses, as principais desculpas foram a pressa (28,7%), os limites baixos (13,4%) e a falta de atenção (11,3%).

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