quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Em votação folgada, Eunício Oliveira é eleito presidente do Senado Federal

Eleito para presidir o Senado até fevereiro de 2019, Eunício Oliveira tornou-se, portanto, o segundo na linha de sucessão da Presidência da República ( Agência Brasil )
Após quatro anos sob o comando de Renan Calheiros (PMDB-AL), o Senado Federal escolheu um novo presidente para o biênio 2017/2018, e ele será o cearense Eunício Oliveira, de 64 anos, que dará sequência à dinastia peemedebista no comando da Casa, que já dura 12 anos interruptos. Em uma votação folgada, como era previsto, Eunício recebeu 61 votos, enquanto seu adversário na disputa, José Medeiros (PSD-MT), registrou apenas 10. Outros 10 senadores votaram em branco. Acompanhe ao vivo o discurso de Eunício Oliveira após a vitória.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente do Senado, Eunício afirmou que dedicará "toda a vontade e experiência que a vida me deu, ao longo de tantos embates no mundo empresarial e político", para comandar o Congresso Nacional. Ele também lembrou de seu colega de legenda, o cearense Mauro Benevides, que também presidiu a Casa entre 1991 e 1993. "Sou homem público já experimentado e um sertanejo forjado no enfrentamento de desafios. Assim, quero oferecer toda a minha capacidade gerencial e política em prol da sociedade brasileira", complementou. 

Eleito para presidir o Senado até fevereiro de 2019, Eunício Oliveira tornou-se, portanto, o segundo na linha de sucessão da Presidência da República, atrás apenas do presidente da Câmara dos Deputados, que será escolhido nesta quinta-feira (2). A eleição de Eunício também reforça o histórico poder do PMDB na Casa, tendo em vista que o partido possui a maior bancada atualmente, com 19 senadores, além de ser o principal comandante do Senado desde a redemocratização, em 1985.

Para se ter uma ideia, nos últimos 28 anos, a Casa teve apenas dois presidentes que não eram filiados ao PMDB: Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), entre 1997 e 2001, e Tião Viana (PT-AC), que ocupou um mandato-tampão de dois meses, em 2007, após a renúncia de Renan Calheiros.

Vínculos

Ex-líder do PMDB no Senado, cargo que será ocupado por Renan Calheiros a partir de agora, Eunício se notabilizou por conseguir equilibrar vínculos tanto com Dilma, madrinha do casamento de uma de suas filhas, quanto com Temer, de quem é aliado. Durante a disputa pelo comando da Casa, Eunício, inclusive, conseguiu obter apoio da maioria dos senadores do PT, que decidiu apoiá-lo em troca de espaço na Mesa Diretora.

Os petistas, aliás, vão indicar José Pimentel (PT-CE) para a primeira secretaria, que funciona como uma espécie de prefeitura da instituição, responsável por assuntos administrativos e financeiros.
Lava-Jato

Apesar de não responder a nenhum processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e também não ser alvo de inquéritos em andamento na Suprema Corte, Eunício já foi citado três vezes em delações envolvendo a Operação Lava-Jato. No fim de 2016, por exemplo, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, disse, em seu acordo de pré-delação premiada, que pagou R$ 2,1 milhões em propina para o agora presidente eleito do Senado Federal. Em troca, segundo ele, Eunício atuou em defesa dos interesses da empreiteira na votação de Projetos de Lei. 

Outro delator da Lava-Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Hypermarcas, Nelson Melo, declarou, em julho de 2016, que repassou R$ 5 milhões para a campanha de Eunício ao governo do Ceará por meio de contratos fictícios. A defesa do parlamentar nega irregularidades.

Além deles, o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT, hoje sem partido) disse, em sua delação, que Eunício faria parte do grupo de parlamentares do PMDB que exercia influência em diretorias da estatal em troca de propina. Delcídio ainda disse que Eunício colocava suas empresas de prestação de serviços para operar junto à Petrobras e a diversos ministérios. 

Em entrevista recente à Folha de São Paulo, Eunício se defendeu e disse que, "no despero", delatores inventam estórias. "As pessoas, numa hora dessas de desespero, falam e ninguém pode impedir. As pessoas criam, inventam e até mentem para obter o benefício da delação", afirmou.

Um dos mais ricos

Em 2014, quando se candidatou ao governo do Ceará, Eunício declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 99 milhões. Quatro anos antes, na eleição em que se elegeu senador, ele tinha declarado patrimônio de R$ 36,7 milhões. Os valores colocam o cearense como o segundo parlamentar mais rico do Senado, atrás apenas de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A maior parte da fortuna de Eunício vem dos negócios que ele controla. O líder do PMDB é dono da Remmo Participações, conjunto de seis empresas que prestam serviços de segurança eletrônica, transporte de valores e táxi aéreo. As companhias do senador cearense prestam serviços, inclusive, para órgãos públicos federais.

O senador peemedebista também é dono da fazenda Santa Mônica, que ocupa grande porção de terras entre os municípios de Corumbá de Goiás e Alexânia, em Goiás.

Trajetória Política

Eunício Lopes de Oliveira (PMDB-CE) nasceu no dia 30 de setembro de 1952, no município de Lavras da Mangabeira, no Ceará. Saiu de casa ainda adolescente para estudar na capital do estado, Fortaleza. É casado com Mônica Paes de Andrade, filha do ex-embaixador brasileiro em Portugal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Antônio Paes de Andrade.

Antes de entrar na política, Eunício trabalhava como empresário e agropecuarista. Iniciou a carreira política apenas em 1998, quando, já filiado ao PMDB (legenda da qual faz parte até hoje) desde a década de 1970, tornou-se presidente estadual do partido, cargo que ele voltaria a ocupar 10 anos depois, em 2008.

No mesmo ano, recebeu 98 mil votos na eleição para deputado federal e foi o candidato eleito pelo PMDB mais votado do Brasil, número que só cresceu nos dois pleitos seguintes, da qual Eunício também foi candidato e eleito, em 2002 e 2006. Em Brasília, foi líder do PMDB na Câmara entre 2003 e 2004 e ministro das Comunicações no governo Lula entre 2004 e 2005.

Tornou-se senador apenas em 2010, quando foi apoiado pelo então presidente petista e por sua sucessora, Dilma Rousseff. Quatros anos depois, tentou se eleger governador do Ceará, mas acabou perdendo as eleições para Camilo Santana (PT).

DN.

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