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| O que vem chamando atenção são as obras de duplicação da CE-040, que liga o município de Aracati a Beberibe, no entorno da ponte |
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uma alta temporada turística chega e continua a pendência de
finalização da duplicação da Ponte Juscelino Kubitschek, na BR-304,
sobre o Rio Jaguaribe, em Aracati. A espera pela finalização da obra vem
de 2002, quando os primeiros pilares foram construídos. De lá para cá
se passaram 12 anos de transtornos, principalmente nas festas de fim de
ano e de Carnaval, já que Aracati é o principal destino turístico do
Litoral Leste cearense.
As expectativas para a conclusão do projeto, entretanto, estão
renovadas. Uma nova licitação foi realizada e as obras se encontram em
andamento desde o último mês de setembro. Desta vez estão sendo gastos
mais de R$ 6,7 milhões. Se não houver atrasos ou paralisações, como
historicamente ocorreu nas tentativas anteriores de dar continuidade à
obra, tudo deverá ficar pronto no dia 5 de fevereiro do ano que vem,
antes do Carnaval. O remanescente a ser executado é de aproximadamente
17% da obra, que estava parada desde o início deste ano.
Atualmente os motoristas precisam trafegar com atenção redobrada em uma
das duas pontes, que foi liberada ano passado. Moradores da comunidade
de Pedregal, ao lado da ponte, têm reclamado da falta de segurança na
área, devido ao local não ter iluminação e não oferecer segurança para
os pedestres.
"Já passou muito tempo, espero que dessa vez saia. Quando retomam, a
gente cria expectativa, mas vai ficando para depois. Então, agora só vou
comemorar quando tiver acabado", desabafa a dona de casa Maria do
Rosário.
A Ponte JK foi inaugurada em 1959, sendo uma das obras mais importantes
para Aracati na época. Ao passar dos anos, o município foi fortalecendo
sua vocação turística, aumentando o fluxo de visitantes em seu litoral e
a travessia estreita da ponte antiga não oferecia mais segurança. Foram
inúmeros acidentes registrados no local, o mais grave dele ocorreu em
1991, quando um ônibus da empresa Expresso de Luxo, que vinha de Recife,
em Pernambuco, com destino à Fortaleza caiu do alto da ponte após o
motorista tentar manobrar para desviar de uma carroça. O acidente, que
ocorreu num sábado de Carnaval, deixou 36 mortos e 12 sobreviventes.
No anos de 2000 foi realizada a primeira licitação para restauração e
duplicação da ponte, após a entrega de um relatório, no ano anterior, ao
antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), hoje
Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), constatando
ser preciso construir uma nova estrutura, além de reformar e alargar da
obra anterior. Na época, a obra foi orçada em R$ 11 milhões.
Em 2001, foram liberados os primeiros R$ 7 milhões, A obra, porém, foi
paralisada por falta de licenciamento ambiental. Após tramitação junto
aos órgãos ambientais e com a licença concedida, empresa desistiu do
serviço. No ano seguinte, em 2002, foram liberados os outros R$ 4
milhões e os trabalhos foram novamente paralisados por "falhas
contratuais", deixando o projeto parado por mais três anos. Neste ano,
houve uma série de denúncias de escândalos envolvendo a empreiteira
Delta, responsável pelo serviço. Em 2005 foram alocados R$ 10 milhões
para duplicação, que ficaria ao cargo do Exército Brasileiro, que também
desistiu. Em 2006, o Dnit anunciou conclusão em 18 meses e custo de R$
29,2 milhões, mas os prazos não foram cumpridos. Em 2008, houve vistoria
e denúncia do Ministério Público, resultando no reinício. Em agosto de
2010, o Dnit afirmou que ponte seria concluída no fim daquele ano.
No mês seguinte, em setembro, outro acidente grave foi registrado,
porém sem vítimas fatais. Um caminhão desgovernado com placas de Santa
Maria, cidade do Rio Grande do Norte, atingiu alguns veículos e por
pouco um deles não caiu no rio. A nova ponte não estava concluída para
tráfego e a travessia ainda era realizada na estrutura antiga. Em 2011, a
nova ponte foi liberada para o tráfego, mesmo sem oferecer segurança.
Da data da liberação, pouco foi avançado nas obras, até hoje. Com uma
nova licitação e novos investimentos, espera-se que a problemática se
aproxima de seu desfecho. Ao longos dos últimos 12 anos, o montante de
recursos estimados para a Ponte JK, somaram mais de R$ 47 milhões.
Timidamente a obra vem sendo concluída. No momento, algumas estruturas
de ferro estão sendo montadas para finalizar o trecho da ponte. Em
seguida serão construídas as adequações para a segurança.
O que vem chamando atenção, na verdade, são as obras de duplicação da
CE-040, que liga o município de Aracati a Beberibe. Esta segunda obra
está, no momento, sendo realizada no entorno da ponte. Para o diretor da
Associação de Empreendedores de Canoa Quebrada (Asdeq), Rui Barbosa, a
tão esperada conclusão das obras, tanto da ponte quanto da duplicação,
irá impulsionar o turismo na região. "Estamos com boas expectativas que
isso seja concluído. É um benefício, não só para Aracati, mas para todo o
litoral leste. Esperamos que seja finalizado dentro da normalidade",
conta.
Ellen Freitas
Colaboradora
Colaboradora

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