domingo, 23 de novembro de 2014

Seu Lunga é sepultado em Juazeiro do Norte; cerca de 4 mil pessoas marcaram presença

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Antes de Seu Lunga ser sepultado, foi celebrada uma missa às 15 horas no Centro de Velório Anjo da Guarda, onde foram prestadas as primeiras homenagens ao comerciante
Foto: Elizângela Santos
Milhares de pessoas deram o último adeus ao homem que se tornou um dos personagens mais populares do Brasil, principalmente da terra onde viveu a maior parte da sua vida, em Juazeiro do Norte. Joaquim Santos Rodrigues, ‘Seu Lunga’, como ficou conhecido nacionalmente, foi sepultado no final da tarde deste domingo (23), no cemitério do Socorro, em Juazeiro do Norte, sob os aplausos de uma multidão de cerca de 4 mil pessoas. Ele morreu aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca. Há mais de um ano, chegou a fazer uma cirurgia do esôfago e havia suspeita de um câncer, não confirmado pela família.  Na última quarta-feira ele foi levado ao Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde faleceu no sábado, por volta das 9h30.

Antes de ser sepultado, foi celebrada uma missa às 15 horas no Centro de Velório Anjo da Guarda, onde foram prestadas as primeiras homenagens ao comerciante, dono de uma sucata que se tornou atrativo para turistas e admiradores do Seu Lunga, que queriam conhecer o personagem das histórias do homem pouco tolerante às pessoas que não sabiam perguntar. O estabelecimento funcionava na rua Santa Luzia, 588, no Centro da cidade, que até bem pouco tempo ele fazia questão de ir até o local de trabalho.
Uma chuva de pétalas caídas de um helicóptero, após o som de uma sanfona ‘pé de bode’, com os cânticos de louvor ao Padre Cícero, davam o tom da despedida do poeta, repentista, e também o orador, que costumava no último adeus aos amigos, à beira do túmulo, prestar-lhes às últimas palavras. Antes de chegar ao cemitério do Socorro, uma multidão aguardava para se despedir com homenagens de frente à casa de Seu Lunga, na praça do Cinquentenário, nas proximidades do Socorro. Antes da chegada ao túmulo, o caixão permaneceu por alguns minutos diante da estátua do Padre Cícero, na praça do Socorro, em seguida adentrando a capela. Próximo ao túmulo do sacerdote, que ele sonhava antes de morrer ver a igreja reabilitando, foram realizadas as últimas despedidas de amigos e familiares.
Seu Lunga tinha uma família numerosa, de 13 filhos, desses, 10 mulheres estão vivas. Há cerca de quatro meses perdeu o último dos seus filhos, Gilberto, aos 51 anos, vítima de um infarto. Ele nasceu no Município vizinho de Caririaçu, mas parte de sua infância, com os pais e sete irmãos, foi no Município de Assaré, também no Cariri cearense. Somente aos 16 anos veio residir em Juazeiro do Norte.  O apelido veio após o comércio, por conta de uma de uma vizinha que lhe chamava de Calunda. Com o tempo, passou a ser chamado de Lunga, nome que o fez ganhar fama de pouco tolerante no Brasil. ontem, após a notícia da sua morte, as homenagens nas redes sociais se espalharam e ele chegou a se destaque em jornais de outros estados.
Autoridades, amigos, admiradores, ou simplesmente curiosos de conhecer ou ver pela última o homem que preencheu o imaginário das pessoas com as tiradas que se tornaram engraçadas, se despediram de Seu Lunga. Enquanto muitos lembravam seus causos, outros falavam da lenda vivia que agora fica para sempre marca na história de Juazeiro do Norte. O ex-secretário de Cultura e radialista, Agnaldo Carlos Sousa, lembrou da personalidade forte do comerciante e disse que ele se tornou, sem dúvida, uma das figuras mais populares de Juazeiro do Norte, até mesmo podendo ser considerada a mais conhecida, depois do Padre Cícero.
Um dos sonhos de Seu Lunga era poder fazer um registro de suas poesias. Esse projeto vinha sendo alimentado há um bom tempo, pelo seu amigo Júlio Vieira. Ele prestou vários serviços ao comerciante e disse que pôde ver bem o outro lado do homem que antes ele até temia perguntar alguma coisa. “Depois vi que ele era uma pessoa amável, atenciosa, educada”, conta. Infelizmente o projeto não se concretizou, já que a ideia, segundo o diretor da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins, era gravar nos estúdios da fundação.

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