sexta-feira, 12 de agosto de 2011

´Não pode mais ter diferença entre saúde de rico e de pobre´


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Serviço de urgência: Dilma Rousseff cumprimenta profissional do Samu do Polo I ao entregar ambulâncias
RODRIGO CARVALHO

Na inauguração da Policlínica Regional de Pacajus, presidente prometeu ampliação do Samu e melhoria do SUS
Foi a primeira vez que Dilma Rousseff veio ao Ceará como presidente, mas a impressão era de longa amizade. Distribuindo sorrisos e abraços durante a inauguração da Policlínica Regional de Pacajus Doutora Márcia Moreira de Meneses, ontem à tarde, ela garantiu: "não pode mais ter esta diferença entre saúde de rico e de pobre. Nosso esforço agora é transformar a saúde do Ceará para ser uma das melhor do País". A plateia, lotada de moradores e autoridades políticas locais e nacionais, escutou várias promessas de melhorias. Desde a garantia de atendimento especializado perto de casa, sem a necessidade de ter que se deslocar até a Capital, até a proposta de ampliação das ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).

Pela aparente vontade da presidente, ninguém mais vai morrer esperando pelo Samu e todos os mamógrafos, que antes estavam subutilizados, vão ser remanejados para diminuir a fila de espera. O ponto forte do discurso foi o anseio de melhoria da saúde da mulher, desde a gestante até a idosa com atendimento em dez especialidades.

Reforço
"A policlínica tem a capacidade de atender 245 mil habitantes da região e o Samu vai poder auxiliar 1,7 milhão de pacientes", comenta. Com o reforço do Polo I do Samu, o Ceará terá 43 municípios cobertos.

Durante coletiva, a presidente garantiu que o governo vai usar a experiência norte-americana dos "home cares" para financiar estruturas de atendimento a doentes em casa.

Dilma falou de tudo um pouco, sobre o câncer e pressão alta, brincou com a plateia, esboçou alguns sorrisos, frisou a importância de mais parcerias e recursos entre os municípios para o sucesso dos consórcios.

Ao final, despediu-se sem muitas delongas, não teve tempo de falar com os populares. Apesar do alvoroço dos habitantes de Pacajus - muitos escorados em muros e espremidos em grades para ver a primeira presidente mulher do Brasil - ficou pouco tempo, quase duas horas, mas mudou a rotina do local.

Junto à presidente, estiveram presentes, além do governador Cid Gomes e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, prefeitos, deputados federais, estaduais e secretários.

Ganhando elogios mil da presidente, Cid Gomes fez questão de dizer que, se muitas promessas estavam sendo feitas ali, não era por fins eleitoreiros. "Não estou mas em campanha, por isso não tenho medo de dizer que quero, até fim de 2012, que tenhamos a melhor da saúde pública do Brasil", afirmou.

Ele garantiu que a Policlínica já vai estar funcionando em setembro. "Sabemos que o povo daqui estava sofrendo sem atendimento de qualidade. Tudo que acontecia o povo tinha que correr para a Capital. Não vai ser mais assim", esclareceu.

Sem aparentes novidades na área da saúde, Cid Gomes anunciou apenas duas novas ações, ainda sem prazos definidos: a instalação de uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa) na região e o avanço nas negociações para a instalação de um hospital de referência no anel viário da BR-116.

Em meios à vaias e aplausos, o prefeito de Pacajus, Pedro José, tentou chamar atenção da presidenta, falou de como ela era bem vinda e como "tinha conquistado toda admiração e respeito do povo". Agradeceu por Cid nunca ter esquecido o município. Sem festa, Dilma mal olhou para o prefeito, lia papeis e conversava.

Se alguém chamou a atenção e fez a plateia se emocionar, foi a estudante Isabele Meneses, filha da médica homenageada, Márcia Moreira. "Seu carinho e dedicação semeou projetos e sonhos para o futuro", concluiu.Leia mais em Negócios

TRANSPARÊNCIA
Padilha negou qualquer clima de crise no Ministério da Saúde
Se a presidente Dilma Rousseff evitou falar de crise com a saída de três ministros em menos de um ano, o ministro da saúde, Alexandre Padilha, fez questão de reforçar que não há qualquer problema de corrupção ou risco de demissão na sua Pasta. "Temos projetos de transparência, fazemos monitoramentos constantes dos gastos, das verbas e dos cargos para evitar qualquer possível desvio", comentou.

Com fala firme, declarou aos presentes com tom médico, ressaltou a importância do atendimento especializado em tempo hábil para evitar a morte dos doentes e acrescentou que, até o fim do governo Dilma, quer ampliar de 51% para 79% a cobertura total do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "Temos ambulâncias com estrutura da rede cegonha, com apoio para mães em trabalho de parto e até incubadora para os recém-nascidos", frisou.

Estrutura
Apesar de estar em um palanque com a presidente e dezenas de políticos, Padilha ponderou que o evento, da ampliação do Samu e inauguração da policlínica, não se tratava apenas de um momento festivo como era antigamente a entrega deste tipo de benfeitorias públicas. "Antes se distribuíam ambulâncias no Interior de qualquer jeito. Hoje é diferente, são bens estruturadas, têm qualidade", disse.

Olhando atento para o público que esperava ansioso por novidades e pelo fim das filas de espera nos hospitais, ele tentou acalmar ô animo daqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Dizia que agora todos vão se orgulhar de estar dentro de uma unidade pública. "Não vai mais ter sofrimento. Estamos dando mais um passo pela melhoria da qualidade do SUS. A integração da rede agora é nosso maior desafio", frisou. Com a unidade de Pacajus, aumenta para quatro o número de unidades deste padrão já entregues no Ceará. Conhecendo a dificuldade em garantir reforço médico para a região, Padilha já se adiantou, afirmou que o Ministério da Saúde tem inúmeros projetos e subsídios para estimular os residentes e graduados a irem trabalhar e estudar longe das capitais. "Vamos aumentar não só a interiorização da rede, mas também a de profissionais", comentou o gestor.

Além disso, "passeou" por outros assunto. Comentou rapidamente sobre ações do Ministério para melhoria da alimentação da população e combate ao uso de álcool e drogas.

MANIFESTAÇÕES
Protestos e vaias disputaram a atenção
No palanque o clima era de paz. Entretanto, fora de lá, outras manifestações tentaram disputar a atenção com a presidente Dilma Rousseff. Mesmo com todo o aparato policial, moradores de Pacajus ainda conseguiram abrir faixas com protestos por baixos salários. Eram, em sua maioria, professores e alunos da rede estadual, em greve.

Durante a fala do prefeito de Pacajus, Pedro José, várias foram as tentativas de "boicote" ao discurso do gestor. Vaias, gritos e gestos de reprovação com a mão, se espalhavam em meio à multidão. Sem perder a fala, Pedro José seguia o script.

O estudante, Francisco Rocha Gomes, 17, lamentou o fato de Dilma ter inaugurado um hospital e não ter conhecido a realidade da cidade. "Ficamos felizes com a vinda dela, foi um momento único. Mas queremos mais saúde e educação", frisou.

Diversos moradores foram barrados de chegar mais perto da presidente, tinham que ter credenciais. A maioria ficou sob sol quente, na frente da Policlínica na tentativa de dar um único abraço ou chegar perto de Dilma. Só após o termino do evento, um morador, oriundo da comunidade de Jabuti, no Eusébio, e de Itaitinga, conseguiu ter acesso ao palanque e abriu uma faixa de protesto, reclamando da demora na conclusão da passarela de pedestres sobre a rodovia federal.

BASTIDORES
Dilma embargou a voz inúmeras vezes
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A chegada da presidente foi motivo de festa, mas as pessoas afirmaram que ela não tem o carisma e a simpatia de Lula

A chegada da presidente era bastante esperada tanto por moradores como pelas autoridades. Vinda de helicóptero, após compromisso pela manhã no Pecém, ela atrasou bastante. O evento marcado para iniciar às 14h, só contou com a presença da autoridade máxima, às 17h.

A chegada de Dilma na cidade foi motivo de festa e aplausos. Quando a aeronave surgiu no céu, de longe, a plateia bateu palmas. Era a emoção de receber, pela primeira vez na cidade, a mulher que pioneiramente governa o País. A garotada batia palma e todos gritavam: "olé, olé, olá Dilma, Dilma!". Parecia hino de campanha eleitoral.

Tentando retribuir o carinho, Dilma começou de modo inusitado. Em vez de dar boa tarde à todos, fez diferente: deu inicialmente saudações só às mulheres. Eram comum as comparações com o dirigente anterior, Luiz Inácio Lula da Silva. Para muitos, faltava na atual o que sobrava no anterior, carisma e simpatia. Ela até tentou. Para o aposentado, Chagas de Brito, 72, não dá para comparar um com o outro, são bem diferentes. "O Lula ria mais, falava mais a língua do povo e era mais simpático também. Talvez seja só se acostumar com o jeitão sério dela e pronto", disse.

Em um dos poucos momentos de descontração, Dilma teve uma crise de tosse ao anunciar a presença do deputado federal, José Guimarães. Ela mal conseguia falar o nome dele, tentou por três vezes até ser socorrida por assessores que lhe deram um copo de água. "Engasguei com o ´Gui´ do Guimarães. É por que ele engordou um pouco e o nome ficou mais pesado, difícil de descer", riu.

IVNA GIRÃOREPÓRTER

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