domingo, 14 de agosto de 2011

Lições para toda a vida

Jesualdo Farias, reitor da UFC: "Aprendi com o meu pai a persistir" Paixão pela cultura é herança de Zé Maia ao filho Falcão Maria da Penha: "Sinto saudade das coisas boas" (FOTOS: MARCUS CAMPOS, DIVULGAÇÃO E IGOR DE MELO )
A genealogia dos homens considera ausências e proximidades com medidas iguais. As gentes se formam aos solavancos de quem os pariu e criou, de quem os abandonou e deu limite. Dia dos Pais, diferente da data semelhante em maio de todos os anos, apresenta mais omissões e recalques, mas não figura desimportância nem assim. E, quando repleta de boas lembranças, abre sorrisos para sempre infantis, nos rostos adultos do agora.

O POVO saiu à procura desses bons filhos de bons pais. Encontrou três figuras públicas cearenses, três pares brilhantes de olhos, para a partilha das histórias infantis e das lembranças exemplares carregadas aos quatro cantos pela saudade e pela gratidão. O cantor e compositor Marcondes Falcão, o reitor da Universidade Federal do Ceará Jesualdo Farias e a bioquímica homônima da lei contra violência doméstica a mulheres, Maria da Penha.

“O que é um pai?”, perguntam os psicanalistas. Conforme o psicanalista Ronald de Paula, membro do Corpo Freudiano, Escola de Psicanálise, Secção Fortaleza, a função paterna nem sempre é exercida pelo pai biológico – sequer pelo homem. A mãe, o desejo dela, escolhe a figura paterna para o próprio filho, e a criança se beneficia dessa escolha. Quando essa função é ausente, e o filho não tem suprida a carência, mais para frente, sente falta. “É inconsciente. A mãe, às vezes, não elege essa figura que vai exercer essa função, por indefinição de seu próprio desejo, quem é o seu amor, por exemplo, mas alguma questão que escapa a ela própria, frise-se. Neste sentido, este processo é pré-determinado, e pode atingir um dos filhos, outros não, enfim, a mãe não tem culpa, mas aquela criança fica sem esse referencial. A mãe, sem se perceber, pode se tornar invasiva. Então as consequências vêm, mais cedo ou mais tarde”, explica o psicanalista.

O limite e o diferente
“O limite é a primeira lição paterna”, aponta o psicólogo clínico e educacional Edson de Assis. Seguido da autoestima e do caráter. Depois, a diferenciação entre feminilidade e masculinidade. “Meninas sem atenção nem aprovação paterna tendem à insatisfação com relacionamentos. Procuram a realização que não tiveram na infância e têm dificuldades”, aponta o psicólogo.

Sobre disciplina: “Todo mundo precisa aprender na primeira infância o que pode e o que não pode. Essa aprendizagem é função do pai”. Sobre autoestima: “Quando a criança está chateada, corre pro colo da mãe. Mas para dar a volta por cima, precisa da palavra de estímulo do pai”. E mais além das lições, conforme o psicólogo, toda criança precisa do referencial masculino. “Se ela não aceita o exemplo do pai porque é mau, precisa encontrar outro exemplo”, conclui.

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA

O homem da casa, o pai dos filhos, o esposo, a referência masculina. Das qualidades paternas, a lista segue. Seja ausente ou muito próximo, ao pai não escapa o peso genético e psicológico de ser tão basilar à cria. Para o bem e para o mal
Janaína Brás
janainabras@opovo.com.br



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